quinta-feira, 28 de junho de 2012

PLANO EMERGENCIAL PARA QUEM?

O Governo, com sua pretensão de fazer perícias sem peritos e desprezo por uma categoria altamente especializada que compõe o Estado, chegou à beira do Colapso. Os peritos são apenas 8% dos servidores do INSS, entretanto por eles passa a decisão dos destinos de 2% do PIB e até 70% dos cidadãos atendidos nas agências do INSS. Que política pública de recursos humanos é essa que pretende ter experts no curso superior mais difícil, caro e disputado em todo o mundo remunerando-os com menos do que faz com técnicos e com auditores? Mas é muito menos mesmo. É tão pouco que quase metade dos inscritos no último concurso sequer apareceram para a prova. Tão pouco que mais de 150 pediram para sair nos últimos 12 meses. Desvalorizar abusivamente esses servidores, como fizeram em 2001-2004, fez repetir o colapso daqueles anos, quando o INSS foi salvo exatamente por ação dos próprios peritos, que pegaram o touro a unha, fizeram mutirões aos fins-de-semana e até greve para o INSS tomar juízo.

Desde a greve de 2010, um momento lamentável de pura revolta que não touxe nenhuma conquista, a categoria está apática, aguardando do INSS a solução para os problemas dela e da própria autarquia. Os peritos só têm se dedicado a trabalhar muito, cumprir suas jornadas regiamente vigiadas, aceitado perdas de espaço e de poder (se é que já teve algum). Estamos expectadores de um colapso anunciado.

Nossas teses estão mais uma vez provadas. E não precisamos fazer nenhuma greve para isso, o Governo fez a greve. Se o modelo de perícias eletrônicas por particulares tivesse vingado, o buraco teria sido mais fundo. E olha que não estamos nem falando dos custos da DCA.

Pedir sacrifícios? Ora, o que é isso? É o momento de negociarmos os subsídios e nosso desatrelamento de carreiras administrativas que nada têm a ver conosco. Passemos a subsidiados com aumento em 2013 ou até 2014, negocia-se; façam eles as propostas para poderem pedir alguma coisa. 
Já estamos com água pelo nariz e não podemos aceitar migalhas para quebrar o galho de nossos algozes! É hora de eles admitirem nosso valor. 
Uma oportunidade perdida pode demorar anos a se reapresentar.

5 comentários:

Oscar Filipe disse...

Fui aprovado no último concurso para, segundo as informações que tenho recebido, uma das GEx mais caóticas do país: Florianópolis.
Antes mesmo de ter contato com o serviço já comecei a ler algumas publicações deste blog e imaginava que fosse produção de colegas pessimistas.
Infelizmente estava enganado. Estou há menos de um mês no INSS, mas já pude perceber que o CAOS está instalado e já comecei a entrar num processo de desânimo.
Desanimo especialmente por perceber que não existem perspectivas de melhora e a culpa coloco principalmente em nós mesmos como categoria.
Pelo que leio aqui, a categoria enfrenta a anunciação do inferno (se não o próprio inferno) há muitos anos e, a despeito do poder político que tem se olhada como grupo, não tomou atitudes que gerassem resultados para a categoria.
A tendência, pelo que vejo, é uma piora progressiva.
O mercado está se abarrotando de colegas médicos e em não muito tempo as exonerações vão parar e a guerra por emprego entre médicos se acirrará e daí mesmo então o poder de reivindicação da categoria terá morrido totalmente.
Acho que temos o dever de fazer algo, principalmente por nós como categoria, mas também cumprindo nosso dever cívico e moral e defender os cofres de nossa União que, pelo que vejo em desespero nesses meus primeiros dias de INSS, só podem estar se esvaziando diante de tanta sem-vergonhice descarada na gestão do INSS, nos segurados e nos peritos que se calam diante da enormidade do problema.
O que mais os representantes da categoria podem estar esperando para iniciar uma mobilização?
Se o momento passar, terá passado, e a esperança, que já é mínima, terá morrido.
E o momento está passando...

aldofranklin disse...

Oscar discordo de vc! Se vc parar um caminhão numa esquina pra encher de advogado, dentro de 5 minutos ta cheio nem por isso as carreiras federais onde o diploma de direito conta, há sempre salários atrativos!
o QUE MuDA é a forma de organização, de pressão e de fazer política imposta pela categoria! O perito pode cruzar o braços, pode aumentar as exigências na concessão, pode afrouxar, pode sacanear, etc...só tem que se organizar!!!

Oscar Filipe disse...

Aldo, eu não disse nada muito diferente do que disseste. Apenas que um dos principais argumentos da categoria, que é o esvaziamento dos quadros do inss por conta da não valorização dos peritos, tende a morrer e em não muito tempo, por conta do enchimento de profissionais no mercado.
Mas concordo totalmente contigo: o que muda é a organização da categoria.
Tenho de admitir que eu botava fé no sindicato, mas fiquei um pouco decepcionado nessa situação, achei a atuação fraca. Não entendo muito de estratégias de luta sindical, mas tenho a impressão de que o sindicato demonstra, nesse evento, estar aderindo à passividade já tão observada na anmp.
Acho que o instituto já foi tão desonroso com a categoria e já deu tantas mostras de que não podemos confiar em suas promessas, porque seremos mais uma vez ludibriados, que já passou da hora de se tomar atitudes mais firmes como categoria.
Cara, ouvi dizer por aqui, que em vídeo-conferência os gestores do inss utilizaram ameaças disfarçadas de avisos para convencer os peritos a aderirem ao plano emergencial: retorno das 8 horas e reavaliação da gratificação caso o plano não tivesse sucesso.
E o pior de tudo é que todos estamos mesmo sujeitos a isso. E parece que os representantes da categoria estão esperando algo assim pra tomar alguma atitude. De que adianta? Depois brigar para não ficar pior? Nossa briga deve ser pela conquista de direitos e não só pela manutenção, entende?
Desse jeito, a coisa nunca vai melhorar.

Heltron Israel disse...

Curiosidade, o colega acima ajuda o Sindicato de alguma forma? O colega conhece a história recente associativa e porque existe o sindicato? Convido a conhecer. Filiem-se e ajudem as coisas a melhorarem. Não parece uma melhor opção que criticar que luta de graça por vocês? Já ouviram falar que devemos nos preocupar com o que podemos fazer pelo o mundo e não o que este pode fazer por nós? Pensem mais para evitar uma falsa percepção da realidade!

Oscar Filipe disse...

Oi, Helton, então... Ainda não me filiei ao sindicato, pq acabei de entrar e to resolvendo varias outras coisas. Mas pretendia sim me filiar, ainda to estudando a situação.
Como eu disse, botava fé no sindicato, mas a posição muito menos incisiva do que eu esperava nessa situação me colocou em dúvida.
Essa atitude de "apenas ficar atento". Era o que eu esperaria da anmp.
Assim como essa atitude de responder a uma crítica/questionamento com uma resposta desnecessariamente áspera.
Esse tipo de atitude só aumenta a desunião.
Deveríamos guardar nossa aspereza para quem realmente merece e não pros colegas, né?
Bem melhor que tivesse amigavelmente me explicado o posicionamento adotado, pq eu realmente não consigo enxergar que estratégia sindical é essa de observador, que só late e nada morde.
Bem...
Apesar da acusação velada de nada fazer, estou aqui, há menos de um mês na casa, nem resolvi minha vida ainda, mas me coloco a disposição para ajudar os colegas no que precisarem e possível for pra mim aqui em SC.
Abraços!