sexta-feira, 22 de junho de 2012

OS MOTIVOS PARA UMA REFORMULAÇÃO TOTAL NA CARREIRA DE PERITO MÉDICO: 2) CARREIRA EM EXTINÇÃO. SE NADA FOR FEITO, O INSS ENTRARÁ EM 2016 SEM PERITO.

A carreira dos peritos médicos previdenciários não está esvaziando, está despencando ladeira abaixo. Vejam o gráfico abaixo que mostra o número de peritos x número de perícias:


O assustador gráfico acima mostra uma perda de 1/4 do corpo pericial nos últimos 48 meses, com média de 15% de esvaziamento de quadro anuais. O que assusta é que a velocidade da queda aumentou nos últimos 2 anos. Apesar do concurso de 2010 ter dado uma estancada na queda, os seus ganhos já se perderam e desde maio de 2012 já estamos com menos peritos do que em maio de 2010, quando os últimos concursados começaram a entrar.

Os pontos de inflexão negativa são marcadamente dois: setembro de 2008, quando da implementação da MPV 441 (que virou a Lei 11907/09) que congelou a gratificação (50% do salário) e frustrou a expectativa das 6h diárias legais. O segundo ponto é em abril de 2009, quando do anúncio da revogação da resolução 06/2006 (6h) e implementação do canhestro SISREF, que ficou em testes até outubro do mesmo ano. Desde então, queda livre.

O último concurso sequer conseguiu dar um fôlego à queda, pois já é difícil encontrar médico disposto a atuar nessa carreira (último concurso com 50% de faltas) e os que são aprovados não assumem por medo do que vêem, ou assumem e dão no pé rápido ou, pior, precisam entrar na justiça para assumir pois algum RH sinistro não aceita dar posse por causa de normas infra-legais não constitucionais e não previstas em edital sobre acúmulo de 60h semanais, matéria já derrubada na justiça em 2009.

Foram 1332 exonerações nos últimos 40 meses, sendo que atualmente estamos a um ritmo de 1 exoneração/dia útil. Se a taxa de aceleração continuar igual e somando-se às aposentadorias previstas até 2015, se nada for feito, o INSS começa 2016 sem perito nos quadros.

Mas o que impressiona mesmo é que mesmo com essa hemorragia de peritos, a média de feitura de benefícios foi mantida na mesma faixa de oscilação, o que corrobora os já famosos números sobre a perícia médica: Somos 7% do total de funcionários do INSS (Já fomos 12%) que fazem 70% do serviço anual demandado ao INSS com um tempo médio de espera 50% menor que o de outros serviços administrativos num total de 10 milhões de perícias anuais com menos de 1% de reclamações junto à ouvidoria em uma produtividade 2.337% maior que a dos outros servidores, incluindo a categoria do atual presidente do INSS. Nada diferente se espera de uma categoria com mais de 20 anos de estudos em média, de difícil formação, de especialização médico-legal, com alto percentual de mestrados e doutorados e, portanto, de difícil reposição.

Mesmo com a carreira esvaindo-se sob o manto da negligência do INSS, a produtividade manteve-se nos últimos meses o que prova que sob o regime parcial de 6h (pois apenas alguns obtiveram esse privilégio) a produtividade pericial aumentou 12% desde março de 2012.

Porém não há santo que resista a tanta negligência, falta de segurança, desprezo, omissão, falta de estrutura, falta de motivação e falta de respeito com o qual a categoria médica pericial é tratada dentro do INSS. A continuar nessa tocada, em breve haverá um colapso no atendimento e já estamos observando isso na região Sul, onde a fila do auxílio-doença virou caso de polícia (várias cidades já estão marcando para 2013).

Os motivos do esvaziamento já foram amplamente citados neste blog: Além da forma como tratam os peritos, temos a questão do salário defasado, da gratificação absurda, da falta de estrutura física, da falta de equanimidade na distribuição das tarefas e ainda por cima ter que lutar diariamente para que a autonomia médica seja respeitada, sem nenhuma hierarquia médica instalada sujeitando colegas com ampla formação e tempo de estudo a terem que debater temas médicos com algumas gerências leigas e não diplomadas que insistem em se meter em matéria médica.

Portanto não basta um mero aumento salarial. É necessário uma total reformulação da carreira com a mudança de foco para a saúde do trabalhador como um todo, a otimização do trabalho, o fim da subordinação a chefias administrativas locais com a criação de uma hierarquia médica própria, como ocorre com auditores e procuradores, com subsídio sem gratificações pusilânimes que punem quem trabalha mais, com segurança, estrutura e uma nova nivelação de patamar de rendimentos que nos aproxime das carreiras fiscais pois temos os mesmos requisitos legais para estar nesse nível.

Ou muda-se o rumo daquela curva vermelha ali em cima e muda-se rápido ou então em breve o gráfico do INSS será esse aqui abaixo:

8 comentários:

Eduardo Henrique Almeida disse...

Seria extremamente simplista e metodologicamente errado avaliar a perícia pelo número de perícias. Fazer muitas perícias não é sinônimo de boa prestação de serviços. Não acredito que a DIRAT pense assim.
A alta demanda pode ter origem até mesmo na baixa qualidade, como já aconteceu no passado. Avaliação descomprometida atrai mais requerentes desempregados e autônomos que ficam sabendo da moleza em obter benefício indevido e haja fila! Hoje não vivemos mais isso, as perícis melhoram sensívelmente.
É importante saber que boas perícias afastam picaretas e que, sendo bem feitas e de boa resolutividade evitam que o mesmo requerente tenha que se submeter a outras (retrabalho).
É igualmente importante saber que o estado pressiona a perícia em razão da baixa resolutividade do SUS, que obriga cidadãos a repetirem perícias porque o tratamento não aconteceu.

Eduardo Henrique Almeida disse...

Faltou dizer da grave permissividade em requerer indefinidamente, sem restrição temporal, sobre o mesmo tema. Quem quiser faz até mais de uma perícia por dia!
O correto seria que o insatisfeito tenha obrigação de percorrer os trâmites recursais e só marcar nova demanda na instância original após transcurso de 1 mes. Já foi assim e funcionou bem, ajudando muito a reduzir filas e perícias.

Francisco Cardoso disse...

Sim, nao se deve analisar pericia por numeros, mas como o governo só enxerga isso, faz necessario frisar que até nos numeros o desempenho da categoria é muito superior ao restante, mas as filas permanecem pelos vícios de gestao já apontados: requerimento infinito, ppite, ausencia de controle pelos sst, mau ordenamento de peritos, ausencia de circunscricao

Eduardo Henrique Almeida disse...

Mas um número é eloquente: perdemos mais de 800 peritos, cerca de 15% do maior número que tivemos no período. Boa parte pertencente aos níveis iniciais da carreira.
Sabemos que são mais de 150 os que pediram para sair de julho/2011 pra cá (exonerômetro, neste blog). Desistiram da carreira.

Heltron Israel disse...

É preciso ratificar que não foram veteranos. E que o governo agiu prontamente para bloquear e adiar as aposentadorias destes. Alias a MP568 com retirada da GDAMP nada mais é que a tentativa derradeira desesperada para evitar a saúda de 1000 peritos em condições de aposentar em 2 anos.

Francisco Cardoso disse...

E que juntando o aposentômetro, dobra as saídas de um ano para cá, dá 1 saída por dia útil.

aldofranklin disse...

Fazendo a analogia da análise do gráfico como se fosse a Bovespa, há duas formas de enxergar: A escola grafista e a fundamentalista. Pois vamos:
- A Grafista:
A resistência no "canal Forex" do número de peritos na casa foi quebrada em dezembro de 2009 e a partir daí entrou em um canal de baixa, que perdura até hoje. Houve um descolamento do número de peritos em relação do número de perícias inferindo que outras variáveis possam estar envolvidas na manutenção do número de perícias em detrimento da redução do número de peritos.
A fundamentalista:
Em dezembro de 2009 começaram a sair os peritos da casa! Em sua maioria peritos em início de carreira, cerca de 2/3, por achar que havia outras propostas mais atraentes no mercado de trabalho frente às exigências e as responsabilidades do cargo. 1/3 dos que começaram a sair da casa, já experientes, com janela de aprendizado médio de 05 anos, em decorrência de ter superado a fase de deslumbre e começado "cair a ficha" de que a Gestão do INSS não cumpria o que prometia. Com isso naturalmente o número de peritos foi caindo, tendo em alguns momentos discreta elevação no número dos mesmos em reflexo dos concursos que ocorreram, entrando novamente em nova fase de queda. Tudo decorrente do ambiente de trabalho hostil, da remuneração inconsistente com a função, do desrespeito dos gestores e principalmente da falta de visão macro dos mesmos. Os gestores então procuraram de todas as formas segurar o numero de perícias, sem comprometimento com a qualidade, com as condições de trabalho, com a valorização dos trabalhadores peritos. Instituiram o “big brother” institucional, ponto eletrônico e carga de trabalho elevada associado a atrelamento da remuneração dos mesmos à fila de perícias nas agendas médicas, um verdadeiro modelo FORDISTA. O fato é que dos remanescentes, num primeiro momento de situação de estresse, há aumento de produtividade, o que justificaria o descolamento da curva número de peritos/ número de perícias. Acontece que o estresse mantido a longo prazo leva a exaustão e consequentemente restará apenas duas saídas aos trabalhadores: Adoecendo, por doença profissional de fundo psiquiátrico vindo a se afastar por auxílio-doença acidentário e na segunda possibilidade, pedindo exoneração. O fato é que intensificaram os pedidos de exoneração existindo ainda redução do hiato temporal entre a nomeação e o pedido de exoneração. Quanto mais pressionarem, mais adoecimento, mais pedido de exoneração. Frente ao exposto está instalado no âmbito da Previdência Social um CICLO VICIOSO. E agora novamente, novo aperto na agenda o que elevará a tensão e o estresse e novamente criará nova onda de pedidos de exoneração e/ou afastamento por auxílio-doença acidentário, sim, pois já temos casos de afastamentos de servidores públicos federais por doença profissional e nada melhor que o próprio perito para avaliar o colega e estabelecer o nexo causal o que poderá ainda ensejar pedidos de indenização na justiça federal, o que poderá ser feito de forma orquestrada, organizada...INDEFENSÁVEL!
TUDO FRUTO DA INGERÊNCIA DOS GESTORES, DA FALTA DE COMPROMISSO COM OS SERVIDORES MÉDICOS, DA FALTA DE RESPEITO COM OS TRABALHADORES SEGURADOS DESTA SEGURADORA, não duvido nada de que possa estar aí surgindo um embrião de um movimento grevista, forte, unificado, que não apenas pra reivindicar o seu direito, mas reinvindicar ainda o RESPEITO aos trabalhadores que são contribuintes e segurados desta seguradora chamada INSS.

Wilson disse...

Realmente vocês estão de parabéns!!!! Este blog é muito informativo, de uma clareza fantástica!!!!
É através dele que me atualizo constantemente sobre as últimas notícias e, enquanto isso, tomo minha decisão se entrarei ou não no INSS.
Passei neste último concurso, para trabalhar numa agência grande, talvez a maior e mais bem estruturada (pelo menos em termos de organização médica pelo que andei averiguando), mas fiquei para a segunda lista em outubro (creio eu).
Trabalho na iniciativa privada, com um salário bastante atrativo mas gostaria de tentar algo no serviço público. Entretanto, se não houver mudança na carreira... serei mais um que entrará nestes cálculos de desistência!!! E isso é ruim, pois, sem falsa modesta, tenho uma ótima formação e vontade de trabalhar.
Parabéns novamente pelo blog!!!! E boa sorte a todos nós!!!!! Abraços.