terça-feira, 1 de outubro de 2013

DESEQUILÍBRIO E DETERIORAÇÃO ACELERAM...

A Previdência faz piorar as contas do Tesouro
01 de outubro de 2013 | 2h 06
O Estado de S.Paulo

Em agosto, o desequilíbrio da Previdência Social quase dobrou em relação a julho - passou de R$ 3,1 bilhões para R$ 5,73 bilhões. Mas, em especial, o acumulado entre janeiro e agosto aumentou 27,7% em relação a igual período do ano passado. Acentua-se, portanto, a deterioração das contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pois as despesas crescem mais do que as receitas - e até essas entradas começam a dar sinais de enfraquecimento.

O déficit primário da Previdência praticamente anulou o superávit primário do Tesouro Nacional no mês passado: o governo central (que inclui o Tesouro, a Previdência Social e o Banco Central) teve um superávit primário (do qual se exclui o pagamento com juros) de apenas R$ 87 milhões, o menor em 17 anos. Comparando janeiro a agosto de 2012 e de 2013, o resultado primário do governo central caiu 28,2%.

O INSS pagou, em agosto, metade do 13.º vencimento dos aposentados. Comparar o déficit de agosto com o de julho levaria, portanto, a resultados distorcidos. Mas o desequilíbrio cresceu em relação ao ano passado, quando também ocorreu a antecipação do 13.º salário.

A quantidade de benefícios pagos pela Previdência é uma das causas: cresceu de 25,7 milhões, em agosto de 2012, para 26,6 milhões, em agosto de 2013. Nos primeiros oito meses, em relação a igual período de 2012, as despesas com benefícios subiram 13,3% (R$ 26,4 bilhões), por causa da elevação de R$ 102,59 (+8,1%) no valor médio dos benefícios; da alta do número de benefícios referentes à aposentadoria por idade e tempo de contribuição; e do aumento de R$ 830,1 milhões em precatórios e sentenças judiciais. Subiram, em especial, as quantidades de auxílios-doença (+6,5%), de salários-maternidade (+10,9%) e outros (+14,7%).

O governo dá ênfase à situação da aposentadoria dos trabalhadores urbanos, em contraste com o desequilíbrio da previdência rural. Mas, entre janeiro e agosto de 2012 e 2013, o superávit da previdência urbana caiu de 0,48% do PIB para 0,39% do PIB (menos 0,09 ponto), enquanto o déficit da previdência rural cresceu 0,08 ponto porcentual. Ou seja, piorou o resultado da previdência urbana - enquanto o déficit previdenciário total foi de 0,98% do PIB para 1,15% do PIB, entre 2012 e 2013.

É hora de reavaliar as regras do INSS, para limitar o rombo. A proposta de estender as aposentadorias especiais para trabalhadores da construção civil, frentistas, garçons e cozinheiros só agravaria o déficit.

2 comentários:

aldofranklin disse...

E o INSS perdendo Peritos, cerca de 40% do capital intelectual desde 2010 e pensando em adotar medidas populistas com a tal equipe multiprofissional e o Beneficio automático e ainda por cima sofrendo intervenções do Ministério Publico e Defensória para sangrar no beneficio previdenciário que precisa de avaliação pericial, o qe é certo pois a população, sobretudo o trabalhador nao pode ser penalizado e ter que esperar 90 dias por uma Pericia, fazendo dívidas em cheque especial por causa da morosidade da Previdencia!

Jose Luiz Pinheiro Lima disse...

Quem não gasta com prevenção gasta com reparação