segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O SUICÍDIO ADMINISTRATIVO COLETIVO DA PERÍCIA MÉDICA

A Matéria sobre os suicídios da Polícia Federal é assustadora e demonstra a face mais cruel da Política Interna de Saúde de Servidores do Governo Federal que é completamente desumana e ineficaz. Aliás, boa oportunidade para perguntar o que andou fazendo de 2007 a 2013 o Ex-Diretor do Departamento de Saúde do Servidor Público Federal da SRH/MPOG, Sérgio Antônio Carneiro, nosso atual DIRSAT nos últimos anos para melhorar algo na PF? Ah! Claro, não sabia de nada, não fez nada.

Não sabe sequer o que acontece no INSS, debaixo do seu nariz.... 

Prezados Leitores saibam que atualmente existe uma patologia coletiva psiquiátrica entre os servidores do INSS, principalmente entre peritos médicos, semelhante a que vem ocorrendo na PF. As mesmas doenças, com manifestações diferentes. O suicídio físico só não ocorre com a mesma frequencia porque, por sorte, não temos acesso às armas de fogo. O nosso exonerômetro é a prova inequívoca da negligência do desgoverno (entenda que a exoneração à pedido de um servidor com mais de 8 anos do serviço federal seja motivada pela ideação suicida, sumir do mapa para nunca mais, uma vez que é uma fuga da realidade irreversível)

As histórias recentes são diferentes um pouco, mas não menos impressionantes. Colegas irritados se xingando em reuniões técnicas, se cobrando excessivamente, se processando, se agredindo, inclusive fisicamente. Sim, aqui na GEXNAT, no mês passado, um retirou o cinto das calças e chicoteou o outro colega dentro da própria APS onde ambos trabalhavam. Curiosamente o INSS permitiu que o agressor trabalhasse no outro dia e atendesse segurados. Estaria o seu Juízo normal!? Observamos outro dia que detemos um altíssimo índice de divorciados, coincidência infeliz? Claro que pode ser, ora, balas perdidas num tiroteio também o são. 

Registro também que acompanhamos o drama recente de um colega clamando por ajuda lotado a 150km de sua casa indo e vindo todos os dias até se afastar por meses por patologia mental. Vimos recentemente um colega se sentir perseguido por chefe de APS, jogar os papéis na cara dela, passar a desconfiar da própria sombra. Este passou dias atendendo normalmente até se afastar por meses patologia mental. Eu mesmo anunciei aqui em 2011 o fato raro quando vi 5 dos 6 médicos da minha APS estarem afastados ao mesmo tempo por doença. Sem fazer nenhum controle, sem periódico, sem tempo para refletir, sem tempo para estudar perícia médica (sempre gostei), sem SIASS e com ponto eletrônico rigoroso, respondendo inquéritos de MPF(já arquivados), pressionado por cobranças internas por produção (para não perder o turno estendido), eu tive vários problemas de saúde simultâneos. Nada parecia me impedir de trabalhar no INSS pelos meus próprios critérios, no entanto, estava por um fio e o fio se rompeu. 

Desmotivados, sem perspectiva de melhorias, sem representatividade, assisti colegas caírem um a um (como peças de dominó enfileiradas). Perdemos alguns dos melhores. A última, uma colega genial na área de medicina do trabalho, preferiu a promoção dada pelo seu outro empregador a ficar no INSS e foi para Brasília há 1 ano. Dos que ficaram... Bem, a PF ganha porque, afinal, um corpo estendido, é um corpo entendido, mas garanto que situação não está nada boa. O novo chefe é exigente, sim, todos os motivos deles são legais, segue as determinações da diretrizes do próprio INSS. Ele diz que não é nada pessoal, mas não quer responder processos e que tem muito apego ao cargo porque com a idade dele, não conseguirá em canto nenhum o salário que o INSS paga para um trabalhador de nível médio (bem maior que o meu médico especialista e pós-graduado 30 horas semanais). Já do meu lado há o desapego. Todos os locais que conheço me pagariam melhor que o INSS. O Resultado é fácil de prever. Ele fica, eu vou. 

Ainda semana passada vi uma colega sentada ao meu lado chorando sozinha se dizendo pressionada, recebera novamente o mesmo extenso processo judicial que reencaminhara dias atrás ao setor administrativo alegando que não tinha treinamento para responder aquilo, mas a chefia da APS teria ignorado completamente a sua súplica. Dois dias antes outra chorava bastante por problemas pessoais envolvendo filhos e separação e claro INSS. Que chororô... Se as mulheres choram, os homens parecem aguentar até o insuportável e explodem.

Trabalho numa APS com sete peritos onde quatro fazem terapia, tomaram ou estão tomando medicações psiquiátricas atendendo segurados, inclusive eu, e a outra metade está afastada sem previsão de retorno. Destes, um está afastado por patologia mental, outro porque teve uma cardiopatia aguda, outra se tratando de câncer. Como se consegue levar a situação? Quando a coisa está assim, eles surgem: os volantes (peritos que rodiziam entre as APS) e seguram a peteca do sistema porque se deslocam apenas 1 ou 2 dias da semana para lá, não precisam bater ponto eletrônico (serviço externo) e são visitas. À propóstico, antes de ir, ratifico, o ponto eletrônico é mesmo adoecedor no INSS.

Há poucos meses anuncei minha demissão do INSS cobrado pelo meu amigo Cardiologista por "mudança" no hábito de vida e realização de exercícios diários. Na quinta passada, protocolei afastamento sem remuneração, como alternativa a demissão atendendo aos apelos de amigos. Não há mais o que fazer. Não há mais tempo para o INSS revitalizar a carreira. Botaram um colega (DIRSAT) de plantão numa "urgência" de medicina do trabalho, mas ele e não sabia reanimar o paciente... Acontece, agora é somente atenção terciária, só tratar as sequelas. Se agir rapidamente talvez salve alguns bons neurônios, mas, claro, todos os outros estão sequelados para sempre. Nunca mais terão a mesma dedicação. 
Boa sorte a todos os colegas que ficaram... Fomos dizimados. Os números não mentem.


8 comentários:

Aloísio disse...
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Heltron Xavier disse...

Sequer um fórum aberto se pode ter. Na ultima reunião de delegados ANMP da qual fiz parte até hoje, parte dela se deteve ao show de horrores em msg de peritos para aqueles representantes que haviam sido bloqueadas na tentativa de justificar a censura permanente do fórum ANMP posto que estavam agindo como desequilibrados os seus membros.

Eduardo Henrique Almeida disse...

Aloísio, calma. Não fale isso nem de brincadeira. Se precisa, procure ajuda. A gente deve acionar a justiça brasileira mesmo sem acreditar nela; É o que de civilizado nos resta, mas não deposite esperanças nem dê a ela o poder de definir seu futuro. Tem minha solidariedade.

Marcelo Rasche disse...

Você descreveu o inferno Heltron.

Vandeilton disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Antônio disse...

Podem cortar o salário,,,

só consigo no máximo 2 perícias por hora,,,

se 4hs serão 8 perícias,,,
se 6hs turno extendido serão 12 perícias,,,
se 8hs são 6hs de atendimento e consequentemente 12 perícias por dia.

Catarina Sofrida disse...

Ah tá, então quando são os médicos peritos que tem problemas de saúde mental são coitadinhos, quando é o povo em geral é simulação que pode chegar em 66%, é isso então seus caras de pau?? Na vida de vocês tem problemas com chefia, emprego, família, divórcio, etc, e na vida dos reles mortais, não médicos, não se pode ficar doente, que é simulação, mascaramento, vulgo "se faz", a doença só serve prá vocês, o choro só para as médicas, problemas só vocês possuem.

Francisco Cardoso disse...

Cara Sofrida, 70% dos benefícios solicitados por problemas de saúde mental são concedidos pela perícia médica do INSS. 70%, nenhum país concede tanto.

Logo, seu chororô se refere aos 30% que não são incapazes e usam o benefício como escape.

Ah, os peritos não estão se "afastando", estão se exonerando, coisa que os "eternos F32" se recusam a fazer e geram 30 perícias/ano ao INSS...