segunda-feira, 2 de setembro de 2013

AINDA BEM QUE NÃO TEMOS PORTE DE ARMA, MAS A EXONERAÇÃO À PEDIDO DE SERVIDORES MÉDICOS É UMA MANIFESTAÇÃO DIFERENTE DA MESMA DOENÇA.

Onda de suicídios assusta

Em um ano, 11 agentes da PF tiraram a própria vida. Atualmente, policiais morrem mais por suicídio do que durante combate ao crime. Conheça as possíveis causas desse cenário dramático

Josie Jeronimo e Izabelle Torres
Trechos:

"O teor dos depoimentos converge para um ponto comum de pressão excessiva e ambiente de trabalho sem boas perspectivas de melhoria."

"Vista do lado de fora, a Polícia Federal é uma referência no combate à corrupção e ainda representa a elite de uma categoria cada vez mais imprescindível para a sociedade. Vista por dentro, a imagem é antagônica. A PF passa por sua maior crise interna já registrada desde a década de 90, quando começou a ganhar notoriedade. Os efeitos disso não estão apenas na queda abrupta do número de inquéritos realizados nos últimos anos, que caiu 26% desde 2009. Estão especialmente na triste história de quem precisou enterrar familiares policiais que usaram a arma de trabalho para tirar a própria vida. Nos últimos dez anos, 22 agentes da Polícia Federal cometeram suicídio, sendo que 11 deles aconteceram entre março de 2012 e março deste ano: quase um morto por mês."

"Depressão e síndrome do pânico são doenças que atingem um em cada cinco dos nove mil agentes da Polícia Federal. Em um dos itens da pesquisa, 73 policiais foram questionados sobre os motivos das licenças médicas. Nada menos do que 35% dos entrevistados responderam que os afastamentos foram decorrentes de transtornos mentais como depressão e ansiedade. “O grande problema é que os agentes federais se submetem a um regime de trabalho militarizado, sem que tenham treinamento militar para isso. Acreditamos que o problema está na estrutura da própria polícia”, diz uma das pesquisadoras da UnB, a psicóloga Fernanda Duarte."

"Relatos de colegas de Mauro dão conta que ele chegou a sofrer assédio moral pela pouca produtividade, situação mais frequente do que se poderia imaginar. Como ele, cerca de 50% dos agentes federais já chegaram a relatar casos de assédio praticados por superiores hierárquicos. Essas ocorrências, aliadas a fatores genéticos, à formação de cada um e à falta de perspectivas profissionais, são tratadas por especialistas como desencadeadoras dos distúrbios mentais. “A forma como a estrutura da polícia está montada tem causado sofrimento patológico em parte dos agentes. Há dificuldades para enfrentar a organização hierárquica do trabalho. As pessoas, na maioria das vezes, sofrem de sentimentos de desgaste, inutilidade e falta de reconhecimento. Não é difícil fazer uma ligação desse cenário com as doenças mentais”, afirma Dayane Moura, advogada de três famílias de agentes que desenvolveram doenças psíquicas."



2 comentários:

Heltron Xavier disse...

Garibaldi Premiado

Do Painel na Folha
Durante reunião no Palácio do Planalto com ministros, na quinta-feira, Garibaldi Alves (Previdência) levantou-se e fez uma rápida prestação de contas da pasta.
Ao concluir sua apresentação, provocou Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que coordenava a reunião:
- Nosso atendimento ao público melhorou muito. Quando estava com problemas, a ministra Gleisi me ligava todos os dias. Agora que melhorou, não liga mais! – brincou Garibaldi.
A chefe da Casa Civil riu e respondeu:
- Parabéns, ministro!

Alexander Kutassy disse...

Assédio moral é tabu neste país. Na França tal assunto já tem guarida constitucional. Na Alemanha se apresentam propostas práticas e operacionais. Tentei aqui em Curitiba levantar o assunto, sugerindo um debate entre INSS, área sindical, Promotoria e áreas universitárias. Todo mundo fugiu feito o diabo da cruz. No terceiro Congresso da ANMP no Rio levantei o assunto, e para minha surpresa um papa da Medicina do Trabalho declarou que isso é coisa que não existe (!!!!!!) Cadê meus sais!?