quarta-feira, 15 de maio de 2013

CISSÃO

15/05/2013 20h36 - Atualizado em 15/05/2013 20h37
Audiência sobre 'importar' médicos divide deputados e entidades
Debate na Câmara discutiu plano do governo de contratar estrangeiros.
Governo diz que haverá vagas; médicos dizem que só pessoal não basta.

Do G1, em Brasília

O plano do governo federal de importar médicos estrangeiros para atuar em regiões desatendidas no país dividiu opiniões entre deputados, entidades ligadas à saúde e autoridades do governo reunidos nesta quarta-feira (15) em audiência pública na Câmara.

Enquanto vários deputados e secretários destacaram a necessidade de pessoal no interior do país, representantes dos médicos insistiram que somente efetivo não é suficiente para resolver os gargalos da área no país.
Audiência pública na Câmara, que reuniu parlamentares, médicos, entidades da saúde e governo para debater trabalho de médicos estrangeiros no Brasil (Foto: Isaura Morgana/G1)

Deputados e prefeitos presentes elogiaram a iniciativa do governo em função da carência de profissionais em grotões no interior do país.

O deputado Assis Carvalho (PT-PI) se posicionou a favor da medida, defendendo que não haja discriminaçao entre médicos do Brasil e de outros países. "Preza-se pela eficiência do SUS. A saúde requer imediatismo. Estamos tratando da vida de pessoas", ressaltou.

Vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima classificou como "engodo" e "engano" o discurso do governo de que faltam médicos para o interior. Ele afirma que há médicos suficientes no Brasil, mas para que eles não se concentrem em nas grandes cidades é preciso que haja um estímulo de estrutura no interior.

Já o prefeito de Bagé (RS), Dudu Colombo, que representou a Frente Nacional dos Prefeitos posicionou-se a favor da medida. Ele afirma que uma pergunta frequente feita pelo cidadão é "Cadê os médicos?".
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Frente a críticas de que o Brasil já teria médicos suficientes, o diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço de Oliveira, argumentou que, até 2020, serão abertas no país mais de 37 mil postos de trabalho na área de saúde.

Ele disse, no entanto, que hoje as escolas de medicina abrem 0,8 vagas nos cursos para cada 10 mil habitantes. Enquanto isso, somente 5 estados brasileiros contam com uma média de profissionais formados que considera razoável para atender a demanda, de 1,8 médicos para cada mil habitantes.

A presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza, enfatizou, no entanto, que somente a quantidade de médicos não soluciona problemas na saúde e chamou a atenção para a parcela de responsabilidade do Estado. "É necessário compromisso com o desenvolvimento do país. Se não houver o fortalecimento do SUS não haverá comprometimento [dos médicos formados]. Médico não faz milagre, enfermeiro também não", argumentou.

"Seis mil médicos cubanos não resolvem o problema, mas 17 mil formados sem compromisso com o Sistema Único de Saúde também não", completou, em referência a negociações já em andamento do Ministério de Relações Exteriores para trazer de Cuba 6 mil médicos para atendimento em regiões pobres onde a assistência à saúde é deficiente.

Em outra frente, o deputado Mandetta (DEM-MS), que é médico de formação, recebeu apoio de parte dos médicos presentes na audiência ao criticar o governo na condução dos programas de residência médica. "Os médicos cansaram de levar calote dos prefeitos. O acordo muitas vezes é quase verbal. Programas feitos apenas para satisfazer a gana política", disparou

Um comentário:

Alexander Kutassy disse...

A questão não é a falta de médicos como já amplamente denunciado e confirmado: o que o PT sente é que os grotões estão começando a ficar insatisfeitos, e pretende - a toque de caixa - reforçar o ânimo e a dialética esquerdista. A medicina que continue no pau-a-pique. Sugiro a inserção deste video no blog:
http://www.youtube.com/watch?v=KslPYEoUg-A