domingo, 12 de maio de 2013

"Não é razoável admití-los sem rigoroso exame de revalidação"

Visão do Correio : A polêmica dos médicos cubanos

Correio Braziliense - 12/05/2013

O governo estuda trazer 6 mil médicos cubanos para reduzir a falta desses profissionais no país, especialmente nas regiões mais carentes. Anunciada na semana passada pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, a ideia provocou imediata reação do Conselho Federal de Medicina (CFM) e tende a se transformar em uma queda de braço entre o governo e os admiradores do regime cubano, de um lado, e a representação dos médicos brasileiros, de outro. 

Acima de qualquer argumento, o que não se pode olvidar é que no meio da polêmica está a população, que nunca se queixou tanto do tratamento que tem recebido da saúde pública, mesmo nos grandes centros. De fato, se a saúde é dever do Estado, ele tem cumprido muito mal seu papel e, agora, se deixar de observar certos detalhes, corre o risco de adotar soluções paliativas e de duvidosa eficácia.

Não é da tradição brasileira fechar a porta a qualquer estrangeiro de boa-fé que pretenda viver entre nós. Este é um país de imigrantes, e se orgulha disso. Aqui todos podem conviver, não importando a procedência ou o credo. Mas devem ser obrigatoriamente mais rigorosas as condições a serem impostas aos estrangeiros, convidados ou não, que aqui pretendam exercer atividades que envolvam a segurança ou a saúde das pessoas. 

Para começar, não se trata de duvidar da qualificação dos médicos formados em Cuba, mas não é razoável admiti-los sem rigoroso exame de revalidação. Não há razão para dispensá-los desse filtro, ao qual se submetem todos os médicos com diploma obtido no exterior. 

Além disso, há a dificuldade da fluência no idioma. Essa questão é ainda mais crucial quando se trata do atendimento a pessoas simples de regiões carentes, que terão de relatar o que sentem e entender o que recomenda o médico. 

Outra discussão é se há ou não médicos em número suficiente no Brasil, ou se o problema está na concentração exagerada deles nas grandes cidades. Seja qual for a resposta, não será importando profissionais, cubanos ou não, que o país dará solução definitiva para mais uma de nossas mazelas, que, é urgente reconhecer, decorre de nossa crônica incapacidade de planejar e promover o desenvolvimento. O que temos feito é promover desequilíbrios regionais.

É difícil tirar a razão do jovem médico que, depois de longo período de estudos, não se disponha a viver em grotões, onde não há hospitais nem paramédicos. É preciso criar estímulos para que optem por fazer carreira no interior. E, para os que ingressam agora nas escolas públicas de medicina, não seria descabida a exigência de, concluídos o curso e a residência médica, prestarem de dois ou três anos de serviço (remunerado) em comunidades distantes ou carentes. 

Fundamental será, em vez de apoiar a política da “ambulanciaterapia” (compra de vans pelas prefeituras para despejar doentes nas clínicas das capitais), que os governos priorizem a instalação de hospitais regionais e de bons postos de saúde em pequenas cidades. Quanto mais demorarmos a enfrentar essas carências, maior será o risco de o país adotar soluções exóticas.

Um comentário:

aldofranklin disse...

Qual é o Indivíduo em Sã Consciência que vai querer morar num buraco? Sem ter Teatro, Cinema, Restaurante, Shopping, Internet da boa, TV a cabo, lojas classe A e outras coisas?
E esses ambientes de Trabalho onde se for um Trampo publico nao tem infra- estrutura e o Prefeito te culpando por tudo?
Cai na real! Se nao tiver Carreira de Estado que nem Juiz o Governo pode levar seus Cubanos pra lá! Quero ver quanto tempo esses Mutchatchos aquentam a pressão do Povão metendo bronca e o Prefeito botando Pra lascar nessas "Buchas de canhão"! Vai lá bobão que eu fico aqui na Cidade Grande mesmo ganhando menos hehe...
Ps: todos os conhecidos que vão morar nessas roças viraram Cachaceiros e vivem fazendo Churrasco no fim de semana, também pudera nao tendo nada pra fazer..