terça-feira, 23 de abril de 2013

Resultados do Estado Babá - Brasil Amanhã

Com benefícios sociais generosos, Dinamarca sofre com "preguiçosos"

País reconsidera auxílio a desempregados, estudantes e idosos para lidar com a crise

NYT  - Atualizada às

NYT
Foto: NYT
Robert Nielsen vive de benefícios desde 2001%3A não quer "trabalhos degradantes" e comprou até apartamento
Tudo começou como um experimento para provar que dificuldades e pobreza ainda faziam parte da Dinamarca, aquele país rico e distante, mas o experimento deu errado. Visite uma mãe solteira de dois filhos vivendo sob os cuidados da seguridade social, propôs um membro liberal do Parlamento a um adversário político cético, e veja por si mesmo o quão difícil é viver assim.
Eles descobriram que a vida sob o bem-estar não era tão difícil assim. A mãe solteira de 36 anos de idade, que recebeu o pseudônimo de "Carina" na mídia, tinha mais dinheiro para gastar do que muitos dos trabalhadores período integral do país. Ao todo, ela recebia cerca de US$ 2.700 mensais (cerca de R$ 5,5 mil), e estava no bem-estar social desde que tinha 16 anos de idade.
Nos últimos meses, os dinamarqueses não prestaram mais tanta atenção ao caso, e acreditam que apesar de tudo a situação de Carina é lamentável. Mas mesmo antes de sua história chegar às manchetes, há um ano e meio, eles estavam profundamente envolvidos em um debate sobre se o estado do bem-estar social do país, talvez o mais generoso da Europa, havia se tornado generoso demais, o que prejudica a ética de trabalho do país. Carina ajudou a desequilibrar essa balança.
Com pouco barulho ou protesto político – ou aviso no exterior – a Dinamarca resolveu rever os direitos, tentando pedir para que os dinamarqueses trabalhassem mais ou durante mais tempo ou ambos. Enquanto grande parte do sul da Europa foi atinginda por greves e protestos à medida que seus credores forçam medidas de austeridade, a Dinamarca ainda tem classificação de risco AAA.
Mas as perspectivas de longo prazo para o país são preocupantes. A população está envelhecendo e, em muitas regiões, as pessoas sem emprego agora superam o número de empregadas.
Algumas dessas pessoas são resultado de uma economia deprimida, mas muitos especialistas disseram que um problema mais básico é que uma grande proporção de dinamarqueses não estão participando da força de trabalho – sejam eles estudantes universitários, jovens pensionistas ou beneficiários do bem-estar social como Carina, que depende do apoio do governo por simples comodismo.
"Antes da crise, havia uma sensação de que sempre teríamos cada vez mais e mais riquezas", disse Bjarke Moller, o editor-chefe de publicações para Mandag Morgen, um grupo de pesquisa em Copenhague. "Isso não é mais verdade. Hoje, há uma série de pressões sobre nós. Precisamos ser uma sociedade ágil para sobreviver.”
O modelo dinamarquês de governo é praticamente uma religião no país, e produziu uma população que reivindica regularmente estar entre a mais feliz do mundo. Até mesmo políticos conservadores do país não estão sugerindo livrar-se dele.
A Dinamarca tem um dos mais altos impostos sobre a renda do mundo, com a alíquota mais alta, de 56,5%, atingindo quem ganha acima de US$ 80 mil (cerca de R$ 160 mil) por ano. Em troca, os dinamarqueses recebem uma rede de segurança "do berço ao túmulo", que inclui sistema gratuito de saúde e educação (inclusive universitária), além de indenizações robustas mesmo para os mais ricos. 
Pais de qualquer faixa salarial, a propósito, ganham cheqyes trimestrais do governo para ajudar no cuidado com as crianças. Os idosos ganham empregada grátis caso precisem, mesmo se forem ricos. 
Mas, atualmente, poucos especialistas no país acreditam que a Dinamarca pode pagar pelas regalias que oferece. Por isso, a Dinamarca está planejando reequipar-se e mexer com as taxas de imposto, tendo em vista os novos investimentos do setor público e, a longo prazo, tentando incentivar cada vez mais pessoas – jovens e idosas – para viverem sem os benefícios do governo.
"Antigamente as pessoas nunca pediam ajuda a não ser que precisassem”, disse Karen Haekkerup, ministra dos assuntos sociais e de integração, que foi honesta a respeito do assunto. “Foi oferecida uma pensão para a minha avó e ela se sentiu ofendida. Ela não precisa.”
"Hoje as pessoas não têm essa mentalidade. Elas acham que esses benefícios fazem parte de seus direitos. Os direitos têm se expandido cada vez mais e nos trouxeram uma boa qualidade de vida, mas agora precisamos voltar para os direitos e os deveres. Todos nós temos que contribuir”, afirmou.
Em 2012, pouco mais de 2,6 milões de dinamarqueses entre 15 e 64 anos trabalhavam, 47% da população total e 73% da população nessa faixa etária. Nos EUA, 65% das pessoas em idade de trabalhar estão empregadas, mas as comparações enganam, porque muitos dinamarqueses trabalham poucas horas e todos usufruem de pausas como longas férias e extensas licensas maternidade, para não mencionar o fato de que o salário mínimo é de US$ 20 (R$ 40) a hora. Se o ranking fosse de horas trabalhadas por ano, os dinamarqueses ficariam muito atrás.
O governo já reduziu planos de aposentadoria antecipada. Os desempregados costumavam receber benefícios durante até quatro anos. Agora o número foi reduzido para dois.
Estudantes verão os próximos cortes, a maioria em recursos para que ingressem no mercado de trabalho mais rapidamente. Atualmente, eles têm direito a seis anos de salários, cerca de US $ 990 por mês, para completar um curso de cinco anos, que, naturalmente, é gratuito. Muitos demoram ainda mais para terminar, trancando seus estudos para viajar e para fazer estágios antes e durante seus estudos.
Foto: Getty Images
Estudantes do país recebem, por seis anos, salário de R$ 1.980 para completar curso – que é gratuito
Na tentativa de encolher o bem-estar social, o governo está se concentrando em fazer com que pessoas como Carina não existam no futuro. Ele propõe cortes de subsídios de bem-estar para quem tem menos de 30 anos e checagens mais rígidas para ter certeza de que os "ajudados" tentaram empregos ou programas de ensino antes de apelarem para benefícios do governo.
Autoridades também questionam o grande número de pessoas recebendo cheques para deficientes por longos períodos. Cerca de 240 mil pessoas – ou 9 % da força de trabalho em potencial – tem recebido auxílio de deficiência durante toda sua vida, e aproximadamente 33.500 têm menos do que 40 anos. O governo propôs acabar com esse status para os menores de 40 anos, a menos que tenham uma condição física ou mental que seja grave o suficiente e os impeça de trabalhar.
Em vez de oferecer cheques de deficiência, o governo pretende criar uma "equipe de reabilitação", que poderiam incluir aconselhamento, treinamento de habilidades sociais e de educação, bem como um emprego subsidiado pelo Estado, pelo menos no início. A ideia é fazer com que trabalhem, pelo menos meio período ou enquanto estudam.
Carina não foi a única pessoa que demonstrou publicamente ter usufruído do sistema de bem-estar social da Dinamarca. Robert Nielsen, 45, foi manchete em setembro do ano passado ao admitir que estava vivendo com ajuda do estado de bem-estar social desde 2001.
Nielsen disse que não era deficiente, mas não tinha intenção de aceitar um emprego degradante, tais como trabalhar em um restaurante fast-food. Ele se deu muito bem ao entrar para o bem-estar social, disse ele. Conseguiu até comprar um apartamento.
Ao contrário de Carina, que não vai mais dar entrevistas, Nielsen, chamado de "Robert Preguiçoso" pela mídia, parece estar gostando da atenção. Ele disse que é bem recebido na rua o tempo todo. "Felizmente, eu nasci e vivo na Dinamarca, onde o governo está disposto a apoiar meu estilo de vida", disse ele.
Alguns dinamarqueses disseram que a existência de pessoas como Carina e Nielsen não surpreende. Lene Malmberg, que vive em Odsherred e trabalha meio período como secretária, apesar de uma grave lesão cerebral que afetou sua memória de curto prazo, disse que a história de Carina não era novidade para ela.
Em um determinado momento, disse ela, antes do acidente, quando trabalhava em período integral, sua irmã estava recebendo benefícios e ganhava mais dinheiro do que ela. "Eu concordo que de alguma maneira o sistema está errado", disse ela. "Eu queria trabalhar, mas minha irmã dizia: “Para que trabalhar?”
* Por Suzanne Daley

6 comentários:

aldofranklin disse...

Ao que tudo indica isso não é o futuro do Brasil!
Ja é o presente e seguimos avançando!

Nao existe almoço grátis, alguém tem que pagar! E paga: tudo que vc compra tem 40% de imposto! Imposto de Renda come mais 27,5% do seu dinheiro e outra parte vai pra contribuição ao INSS!
Ja o pessoal que nao trabalha, batalha por um beneficio! Ja tem mais de 80% aposentados por invalidez em termos de índice qe qualquer país serio! Com o bolsa família, lá no NE tem meio mundo de gente que nao quer registro, so trabalhando por bico! Agora com esse lance de Deficiente leve, moderado, grave vai ter uma enxurrada de gente pra tentar reduzir a contribuição! País é repleto de golpistas, de vagabundos, de gente metida a experta, basta uma tarde na Pericia do INSS pra ver a real do povo! Fora isso ainda existe a Gestão meia boca dos Recursos onde uma parte significante é desperdiçada e outra vai no bolso do Politico via licitações fraudulentas! Temo ainda a impunidade que está em níveis absurdos!

Resumindo:
Vc nao precisa mais trabalhar a vida toda!
E no Brasil com essa Gentalha, nao será diferente!
E no Brasil ao invés de tomar medidas de Austeridade, profiláticas, nao, insistem em expandir direitos aos vagabundos! So que quem trabalha ja sacou e estão fazendo de tudo pra arrumar uma teta no Governo! A quantidade de gente que pede auxilio-doenca por dizer que o trabalho é estressante não tá no Gibi e aqueles engravatados do ar condicionado não tem a mínima noção da coisa na pratica!

Eu sou daqueles que faz parte dos que perderam a esperança nesse País! Cansado de ver maracutaias! Cansado de ver o injusto se dar bem, o preguiçoso se dar bem! Quem trabalha e produz de verdade, quem tem capacidade nao é valorizado! A ineficiência sim, essa é super valorizada! Eu nao acredito mais nos valores da Justiça, eu nao acredito mais no Governo, tb nao acredito nesses políticos que estão por ai!

É isso ai! Quem quiser continue "Sonhando"...

Aloísio disse...

O comentário do Aldo devia virar um post. Excelente!!!

catarina2013 disse...

Ministério Público Federal abre inscrições para concurso de Procurador da República com salário de R$ 24.057,33

catarina2013 disse...

Ministério Público Federal abre inscrições para concurso de Procurador da República com salário de R$ 24.057,33

Christopher disse...

O Brasil realmente não é um país sério. Temos provas para todo o lado. Seja na saúde, pela falta de médicos nos serviços públicos, pela péssima estrutura e condições de trabalo ou pelos mirabolantes e enganosos programas do governo; seja na infra-estrutura, vide escoamento, exportação e entrada nos portos brasileiros da soja, vide péssimas estradas; seja pelos desvios de dinheiro e escâncalos de superfaturamentos; seja pelo altíssimo custo Brasil, ou ainda custo-retorno dos impostos que nós pagamos. O Governo maquea tudo. Gasta horrores com propaganda institucional enganosa. Ludibria os mais tolos, ou estes até gostam de mamar 1 SM para ficar á toa, com medidas populistas. É o país do jeitinho. Onde os honestos pagam pelos desonestos. Como diz o Aldo: tá difícl ser honesto aqui, se eu falar isso de mim vou virar motivo de chacota.

Ighenry disse...

Os posts do Aldo dizem sempre a realidade e sobre os valores invertidos desse país medíocre de quinta. Ainda quer posar de porreta no exterior como 7ª economia do mundo.