quinta-feira, 18 de abril de 2013

GESTÃO DO AFASTAMENTO

Esse é o coração da proposta do Governo para o INSS que este blog divulgou. Resta saber se a proposta é mesmo do Governo e não apenas de um bem-intencionado diretor do INSS, já que é ambiciosa, ampla e revolucionária, exigindo mudança cultural e investimentos financeiros e humanos elevados.

Para fazer gestão do afastamento será preciso, como consta no esquema divulgado, Reabilitação integral (seja lá o que isso signifique), Auditoria (que me parece ser o acompanhamento do cidadão incapacitado, como é praxe na Austrália e na Inglaterra), Vigilância Epidemiológica (a meu ver, o mais importante para essa inteligência previdenciária que se propõe), Educação Previdenciária e Promoção da Saúde.

Hoje, não há nada disto, o segurado vai tendo seu benefício sucessivamente prorrogado, na maior parte das vezes por insuficiência do SUS que não tem a agilidade nem a estrutura operacional para atender a demanda em prazo razoável. O INSS desconhece o perfil de seus usuários, não sabe quem e porque recorrerá ao Judiciário, não sabe quem mantém atividade laboral produtiva informal cumulada com benefício. Enfim, o INSS é voltado para si, seus próprios e inúmeros problemas. O projeto propõe que o INSS se articule com a sociedade com a qual interage diretamente, o sistema de saúde, as empresas, o Ministério do Trabalho. Esperemos ter assistentes sociais indo às residências dos segurados e verificando in loco como o cidadão está lidando com sua incapacidade, se conseguiu ou não agendar a fisioterapia ou a cirurgia. A assistente social interagirá com o SUS para viabilizar o tratamento que, não ocorrendo, prolonga desnecessariamente o afastamento, o que onera o INSS e reduz a cada dia a possibilidade de retorno ao trabalho. Identificada a necessidade de fisioterapia, esta será agilizada e implementada pela equipe multiprofissional. Antevejo uma revolução, uma reviravolta que, entretanto, não sairá do papel. Infelizmente. 

O Dr Sérgio não conhece a força do status quo do INSS e também não sabe, ignoro alguém distante da linha de frente médico-pericial que possa saber, que o pior nó crítico que determina a sucessão de PP é o SUS com sua baixa resolutividade e subfinanciamento. Quem vê isso diariamente são os peritos. O patrão, foco sub-liminar ideológico que permeia a proposta, muito menos relevância tem como impactânte na dinâmica previdenciária.

4 comentários:

Airton Jr. disse...

Sinceridade... esse projeto de pericia multidisciplinar tá parecendo mais perfumaria do que algo que sairá do papel.

É como o colega Aldofranklin posta em seus comentários, isso aqui é Brasil, a terra da lei do Gérson, do jeitinho, do toma lá, da cá, do tapezol com embromazina mais enganosil...

Esse projeto seria uma maravilha em um país sério de primeiro mundo, mas aqui???

Vou assistir a quebradeira geral da varanda de casa...

Fernando Antônio disse...

Assistentes sociais do INSS, desde já, poderiam ajudar os trabalhadores/segurados-inss a marcarem cirurgias, consultas, exames etc, interagindo com as secretarias públicas de saúde, centros de saúde e hospitais públicos e com os CRAS municipais (Centro de Referência em Assistência Social).

aldofranklin disse...

Bem o ideal seria a criação do cargo BaBá-SUS!
Encarregada de agilizar o atendimento dos segurados do INSS pelo SUS furando fila da Patoleia! Mas nao, nao, no Brasil isso é uma piada do caralho!
Aqui realmente é o País da piada pronta! Que coisa bonita esse cabra pensou! Mas na pratica, cai na real rapaz!!
Tudo é lixo! A única coisa que funciona é a Receita Federal, também pudera, o Governo bota pra lascar nas empresas e na classe media! Alguém tem que pagar a conta pois nao existe almoço grátis!! Ei, sabiam que os computadores velhos que chegam no INSS eram da Receita Federal?! Quando o auditor nao quer mais manda pra casa da mãe Joana!!

Heltron Xavier disse...

Acho que neste projeto do Aldo é preciso a inclusão da Autopercepçao Psicoparabioeconomicosocial patológica quando segurado pode escolher quais remédios quer tomar e seu tratamento, o governo deve dar, e também quais exames acha melhor e mais importantes. Quem é o médico para negar um exame a um cidadão necessitado?