sábado, 20 de outubro de 2012

EDITORIAL: ENQUANTO O INSS NÃO VALORIZAR O PERITO MÉDICO E SUA ATRIBUIÇÃO, TODOS OS PRESIDENTES DO INSS TERÃO SEUS TRABALHOS "REPROVADOS" PELO GOVERNO

O INSS há muito deixou de ser uma autarquia previdenciária "stricto sensu". Conforme este BLOG já explicou dezenas de vezes, a má gestão da autarquia associada a fenômenos sociais mundiais vêm transformando o INSS, aos poucos, numa seguradora de saúde. Em breve voltará a ser um "INAMPS".

Já passa de 70% a quantidade de pedidos protocolados junto ao INSS que necessitam de avaliação médica, tais como auxílio-doença, auxílio-acidente, recurso de NTEP, aposentadoria especial, nexo trabalhista, dentre outros.

Porém os médicos são apenas 8% do total de funcionários e sofrem intenso boicote interno por parte de servidores de outras carreiras que querem se manter com seus cargos de poder e esse poder inclui dominar o ato médico tão demandado pela população. Quando um médico ascende a cargo de poder esses servidores encastelados há décadas nos gabinetes autárquicos entram em crise. A Dra. Verusa, atual Diretora de Saúde do Trabalhador, já foi chamada de "o precedente de Salvador" em público por outros gerentes, quando antes do atual cargo virou gerente-executiva de Salvador.

O ambiente para o médico trabalhar atualmente no INSS nunca foi tão ruim, e isso se manifesta nos números incontestáveis que este BLOG traz à tona: Mais de 500 exonerações em um ano, 1.500 saídas desde 2009, 1.400 cargos vagos, apenas 217 peritos para fazer 20% de toda a demanda nacional na Região Sul (217 peritos é o que tem na cidade de São Paulo, apenas para fazer um paralelo) são exemplos sem contra-argumentação de que os médicos estão desistindo.

E os que ficam, seja por necessidade ou esperança, não conseguem produzir o ideal no meio de tanta violência, desrespeito, insalubridade e horror que virou trabalhar no INSS. Não à toa, os números de novo, 1.600 desses colegas conseguiram se encostar em algum canto fora da APS e não pensem que voltarão facilmente para a linha de frente. Aos 2.500 que sobraram, resta o fardo de tentar fazer o impossível, que é fazer tudo bem feito em tempo real, ou seja, tudo aquilo que sempre o MPF exige de nós mas eles, procuradores, nunca fizeram pessoalmente em seus trabalhos. O MPF pede aquilo que eles mesmo jamais entregaram à sociedade.

Se o INSS tem 70% da demanda precisando de médico mas só tem 8% de funcionários médicos e esses 8% tem que enfrentar, além dessa enorme demanda, o boicote, a perseguição orquestrada e sádica, a ineficiência, o bairrismo de classe e a falta de estrutura, está explicado porque os números que o INSS produz, mesmo maquiados, não estão agradando ao governo.


E continuarão não agradando, pode tirar e colocar o presidente que quiser, que se as causas da ineficiência gerencial não forem combatidas, nada mudará. E não adianta fazer sisteminha de computador para contar o tempo que o segurado fica na APS que, repito, nada fará a situação melhorar no atual contexto.



E só vai piorar, pois temos a previsão de mais de 1.000 aposentadorias até setembro de 2013 mais as exonerações que não cessaram.


Portanto, o futuro presidente do INSS, seja que for, se de fato quiser resolver a situação e não ser apenas "mais um na galeria de fotos" com curto prazo de validade, vai ter que atacar de frente essa situação.

Valorizar, melhorar o salário e a carga horária, tornar o cargo novamente atrativo como era em 2005/2006, dar o comando de gestão e deixar os médicos resolverem os problemas que tem que ser resolvidos sem serem atacados por picuinhas, recalcados e "donos de gerências", é o primeiro passo para solucionar a grave crise pelo qual passa o INSS.

E falo com exemplos: Vejamos a Gerência Porto Alegre: Ficou milênios nas mãos de um grupo recalcado que só sabia perseguir médicos, ameaçar médicos e fazer picuinhas enquanto enchiam os corredores da gerência de fumaça de tabaco. Bastou mudar e colocar um MÉDICO para gerenciar que em poucos meses o tempo médio de espera para perícia na capital gaúcha caiu pela metade. Só não pode fazer mais por absoluta falta de recursos humanos.

Em suma: Deixe os profissionais graduados que sabem do riscado fazerem o que deve ser feito e dê condições para que isso possa ser feito sem o boicote interno que destruiu a perícia nos últimos anos. É assim que sua gestão será vitoriosa.

Ao servidor que assumir o cargo de Presidente do INSS deixo uma dica: não cometa o mesmo erro de Mauro Hauschild, não dê ouvidos à DIRBEN e aos "chefes de cúpulas" que irão começar a falar mal dos peritos, não caia nessa bobagem. Hauschild percebeu o erro que havia cometido justamente quando foi enquadrado pelos peritos do Sul, naquele episódio lamentável da entrevista ao jornal, mas já era tarde demais para se recuperar. Ouviu demais a DIRBEN e de menos os peritos. Agora paga o preço em praça pública.

Pobre INSS: Tão longe de Deus e tão perto da DIRBEN....

3 comentários:

Heltron Xavier disse...

http://www.radioguaiba.com.br/Noticias/?Noticia=472274

a gauchada de manifesta

Unknown disse...

Eu já estou na espera da perícia não tenho como voltar a trabalha estou com hérnia de disco só que falta 42 dias pra perícia a firma só me paga 15 dias então se eu for liberado pela perícia para o trabalho que me paga esses dias que estou na espera da perícia ?

Rodrigo Nascimento Rud Rud disse...

Eu já estou na espera da perícia não tenho como voltar a trabalha estou com hérnia de disco só que falta 42 dias pra perícia a firma só me paga 15 dias então se eu for liberado pela perícia para o trabalho que me paga esses dias que estou na espera da perícia ?