quinta-feira, 13 de outubro de 2011

ROTINA DO ABSURDO - AMEAÇAS CONTINUAM FORA DAS APS

Muita gente lê no "Rotina do Absurdo" que o Perito Médico do INSS é ameaçado constantemente no exercício da sua atividade dentro da APS. O que muitos não conseguem visualizar é o grau de riscos que os profissionais correm quando estão fora dos seus ambientes de trabalho. Abordagens fora das APS são muito mais comuns que se imaginam. Há relatos de peritos que foram seguidos até seus automóves por segurados enfurecidos por resultados de indeferimento - sim a grande maioria dos agressores tem esta história. Há muitos peritos que receberam bilhetes, cartas, telefonemas e mensagens de internet com ameaças, inclusive de morte. Há peritos que sofreram agressões físicas em seus consultórios privados e hospitais. Há peritos que sofreram ameaças de morte na calçada, na praça, na rua em todo lugar - inclusive na internet. O Perfil do agressor é sempre o mesmo. Um alguém que habitualmente não levantaria suspeitas. Que tenta justificar o seu ato bárbaro e inverter a culpa - típico da mente criminosa. Normalmente eles batem e, logo em seguida, chamam a polícia numa tentativa desesperada de minimizar o seu ato. Por fim, ser Perito do INSS é estar exposto a criminosos diariamente (vide a quantidade elevada de operações da Polícia Federal). Observem abaixo o íncrivel relato de uma médica vivenciado no dia de hoje.

"Colegas, hoje (13.10.2011) foi meu dia de registrar agressão e ameaça junto à polícia federal. Quando saia da pacata APS XXXXX XXXXX, meu carro foi fechado por uma moto com duas pessoas, que apenas identifiquei como um homem e uma mulher, os quais passaram a gritar e gesticular bastante. A mulher abriu a viseira e vi que tratava-se da penúltima segurada atendida por mim hoje. Abri o vidro e, quando estava me posicionando para tentar questionar o que estaria acontecendo, vi que o homem, passou a manusear algo na linha da cintura. Fechei o vidro do carro. Pude ouvir coisas tipo “Você me cortou, não foi sua @&!*#%?! Pois você vai ver, eu vou pegar você”. Enquanto isso, o homem estendeu um braço em minha direção empunhando algo. Juro que pensei que levaria um tiro naquela hora; porém tratava-se de um celular, com o qual aparentemente ele me fotografou. Saíram em alta velocidade.

Voltei para o interior da agência e registrei um resumo do ocorrido, em revisão analítica, na perícia que realizei hoje da referida segurada. Coletei os dados disponíveis a nós peritos sobre a segurada e me dirigi à polícia federal. Fui ouvida pelo delegado XXXXXX. Ele entrou em contato com o chefe da agência e solicitou as imagens das câmeras de vídeo da agência. Orientou-me que levasse a sério as ameaças e tomasse medidas a mais de segurança ao chegar e sair da APS."

Por M.N. Perita Médica do INSS da Região IV

2 comentários:

Eduardo Henrique Almeida disse...

A colega não pode trabalhar nessa APS até a PF resolver o caso. Deve oficiar o gerente local de que aguardará em casa até que seja designada a outra APS temporariamente ou que lhe sejam dadas outras atribuições que não exijam sua presença física no INSS.

Heltron Israel disse...

A situação vivenciada pela Doutora é fruto do nosso risco profissional. Durante muito tempo se atribuía a agressão a "personalidade" do perito. Seria uma tentativa institucional de desviar a sua responsabilidade para o servidor. Conforme o tempo passa, aprendemos que nada disso importa e que todos estamos expostos pelo simples fatos de sermos aquilo que somos: Peritos. Por exemplo, agressões a pessoas de personalidade moderada sofrem a mesma quantidade e qualidade destas. Elas ocorrem por nossa condição invariavel de trabalhar contrariando os interesses alheios. Por isso precisamos de prerrogativas de servidores que representam o estado e são ameaçados como algumas autoridades jurídicas e policiais. E, claro de um departamento de defesa profissional, que certamente será criado pelo novo sindicato ja que a ANMP estampava foto de seu presidente dom um largo sorriso enquanto tivemos 2 agressões graves na mesma semana. Lembrando que em nenhum momento foi feito absolutamente nada pela entidade. Os colegas, um no RS e outro no AC, foram acolhidos por seus sindicatos médicos que se reuniram com o INSS e exigiram resposta efetiva. Para finalizar, penso como o delegado, é uma agressão séria. Eu mesmo fiquei muito preocupado quando uma segurada disse na minha frente que "conhecia muita gente perigosa e que sabia a placa do meu carro decorado". Troquei de carro inclusive. A Dra. M deveria ser afastada por algum período daquela APS para preservar a sua integridade.