quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O QUE DÁ PRA NEGOCIAR? - Posição do grupo que assina esse blog.

Na antevéspera do dia do Servidor Público o Governo sinaliza com anúncio de uma vitória para os servidores, a jornada de 30 hs semanais. Apoiamos a medida e acreditamos que 2 turnos de 6 hs oferecerão muito melhores serviços à população, ampliando o atendimento e utilização das instalações, melhorando as condições de trabalho. Carreiras como do Serviço Social e da Perícia Médica também precisarão estar incluídas na medida que, se não alcançar todos os servidores das APS será inócua.

Para trabalhar 6 hs diárias no atendimento, máximo razoável, a perícia médica e as demais carreiras não têm que dar nenhuma contra-partida como sugerem alguns. Não se pode levar à mesa de negociação sacrifícios adicionais que firam a dignidade do periciado, que sobrecarreguem os peritos ou que nos lance em uma aventura cega com ônus do eventual fracasso do modelo a ser implantado, como foi debatido ontem no CNPS.

A ANMP propõe uma "enkety", mas uma enquete não é democracia, embora pareça; não é sequer científica. O que se quer avaliar? Se for apoio a mudanças na carreira terá 100% de aprovação, mas qual a profundidade da mudança? É preciso que isso seja dito. Não se pode votar em uma coisa e estar aprovando outra. Vão apresentar uma proposta que faria parte de uma reforma maior, ou seria ela sozinha toda a reforma? Ou isso será sequer dito?

É possível um acordo sobre pontos isolados, mas desde que haja credibilidade e confiança entre as partes e, necessariamente, que todas as mudanças sejam debatidas e acordadas. Não se pode aceitar discutir um só ponto (jornada) sem discutir os demais, embora se possa implementar apenas a mudança de jornada, desde que os outros pontos estejam acertados. Nosso grupo não crê que temas como fim da GDAPMP e subsídios possam ser adiados. Não opinaremos em nenhuma enquete que seja desatrelada do debate amplo sobre a carreira, seu papel social, seus fundamentos e exigências.

Não aceitaremos o reducionismo da complexidade de nossas tarefas a um debate sobre mais uma ou menos uma perícia por turno. Querem discutir? Nós também. Querem debater a carreira? Vamos fazê-lo por completo. Depois discutimos o que se faz e com que cronograma. Isso seria negociar.

Nossa resposta à pergunta título é: salário e plano de carreira.
Não negociamos dignidade (nem nossa nem de nossa clientela) ou autonomia, isto a gente defende; não negociamos condições de trabalho ou segurança, isto a gente exige.

2 comentários:

aldofranklin disse...

O "BOCAS" já disse a proposta dele: 6 horas sem alteração no salário! Mas espere, isso já nao vai acontecer pra todos os outros servidores? Já a inQT e apenas Jogo de cena pois os "legítimos representantes" já fecharam com essa proposta...e esperar pra ver...enquanto isso, nao pensem que ninguém vai dar o seu máximo ou o melhor, pois sem rendimentos condizentes com a complexidade do trabalho, sem segurança efetiva e sem autonomia pro trabalho, "...finge q paga, finjo q trabalho..."

Patrícia disse...

Magistral, Drª Luciana, muitos estão deslumbrados com essas 6 horas, que se sairem,não podem nos forçar a pagar em peso de ouro.Muito há ainda a conquistar em termos de dignidade e reconhecimento da nossa seriedade.A imprensa tem nos denegrido muito nos últimos tempos.Pareçe acreditar que achovalhando o médico está ajudando à sociedade.Ledo engano.Em pouco tempo, mentes lúcidas e geniais , como a Srª, Dr.Heltron, Dr.Aldo, Dr.Eduardo , Dr.Francisco e outros colegas que postam nesse blog suas experiências e opiniões ( não é confete, só reconhecimento, juro!) poderão migrar para áreas de maior reconhecimento e respeito.Embora continuar lutando no INSS demonstre coragem.O assédio moral é grande!Faço coro a suas palvras tão realistas.