segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

COMO NADA DEU CERTO, AGORA O GOVERNO QUER BOTAR ESTUDANTES PARA ATENDER A POPULAÇÃO CARENTE.

Quando a classe dominante e política fica doente procuram os médicos mais estrelados na nação para se tratarem. Até unha encravada gera uma internação com direito a visita multiprofissional. Para os políticos, multiprofissional significa vários médicos de diferentes especialidades, todos famosos e de grife.

Mas para atender a demanda da população que também quer médicos, o desrespeito não tem fim. Para esses, multiprofissional significa um bando de paramédicos, cada um se achando "um pouco médico" e o médico em si não existe. Ou quando existe é submetido a jornadas brutais de trabalho com salário aviltante.

Antigamente o governo seduzia médicos a trabalhar oferecendo generosas compensações na escala de trabalho. Quando a sociedade passou a cobrar mais a presença do médico, o mesmo governo cinicamente passou a dizer que a culpa da falta era exclusiva do profissional e começou a persegui-lo. Com isso, os médicos começaram a fugir do SUS e procurar outras alternativas, incluindo novas profissões. Isso se deu na transição das décadas de 80 para 90 com efeitos sentidos a partir do novo milênio.

O governo então passou a tramar planos para suprir a falta dos profissionais médicos exigidos pela população. Como não queriam pagar o que valia o médico, no início começaram a autorizar enfermeiros a prescrever mediante "consensos do ministério", mas a Justiça proibiu.


Depois incorporaram o cínico discurso da humanização, que na verdade é apenas uma bandeira política de paramédicos contra o poder médico na sociedade atual, poder esse conquistado pelo SUCESSO da medicina no século XX diga-se de passagem. 

Criaram as "equipes multiprofissionais" onde "todos eram iguais" sendo que nem na União Soviética existia pensamento tão deturpado de igualar os desiguais tecnicamente. A tática na prática era dispensar os médicos da periferia e substituí-los por paramédicos baratinhos, deixando para o médico apenas o pepino, o chumbo grosso. Criaram as casas de parto, as redes de humanização e acolhimento, tudo para tirar o médico da folha salarial do governo.


Não deu certo pois a população percebeu o golpe. Ai passaram a criar as equipes de medicina da família com um médico para mais de 5.000 pacientes. O modelo se mostrou insuficiente pois não diminuiu a demanda por médicos em pronto-socorros, demanda essa criada pela ausência de uma rede ambulatorial e hospitalar digna de ser chamada de tal. Se na capital paulista uma consulta com urologista demora 6 meses e um exame de eletroneuromiografia demora 2 anos, imagina no resto do país.

Ai começaram com o discurso de que faltava médico porque o profissional era elitista (vide Lula) e também não colou. Passaram então a dizer que o problema era outro: faltava médico no país, o que é outra mentira. Com isso quiseram justificar a contratação de médicos estrangeiros mas a Justiça barrou. Depois tentaram facilitar a homologação automática de diplomas estrangeiros e a sociedade rejeitou. De repente a prova de revalidação feita pelas universidades federais foi a culpada. Centralizaram a prova com viés de facilitar a aprovação. No primeiro Revalida apenas 2% dos mais de 800 candidatos passaram.

Ai quiseram fazer o PROVAB, colocar médicos recém-formados sem residência pra atender a população carente em troca de vantagens na prova de residência futura, uma vergonha inominável. Não deu certo pois a procura foi baixa e os prefeitos (aqueles que pediam médicos estrangeiros em Brasília e à noite se deliciavam com prostitutas) não honraram com o compromisso firmado.

Por fim estão tentando um meio de dar uma licença temporária, sem Revalida, sem nada, para médicos formados no exterior que queiram trabalhar no Brasil. Foram achando que a crise na Europa iria abarrotar o país de médicos portugueses e espanhóis e ai viram que, surpresa, a crise não afetou os médicos nesses países.

Por fim receberam reclamações de governos amigos dizendo que esse projeto iria deixar seus países (Bolívia, Paraguai, Peru, Cuba) ainda mais carentes de médicos do que já são. Médicos argentinos não se interessaram muito em sair de Buenos Aires para medicar em Taboão da Serra ou no sertão do Piauí.

Então ressucitaram o projeto do Serviço Civil Voluntário, apenas para médicos, que de voluntário virou obrigatório, mas esbarrou em questões legais. Aumentar o número da faculdades e formandos só serviu para entupir as capitais de médicos, mas mesmo assim isso não será interrompido pois muitos políticos defendem interesses dos empresários da educação.

Sem saída, o governo recorre agora a uma nova tática: Se não conseguem médicos de jeito nenhum, que vão os estudantes: Querem aumentar o curso de medicina de seis para sete anos sendo que no sétimo ano o estudante, disfarçado sob a tutela de um programa de medicina preventiva, irá ter que servir nas cidades carentes sendo na prática médicos da população local, apesar de nem formados estarem.

Fico pensando como que esses governantes criam coragem para propor um projeto hediondo desses para os seus próprios eleitores. Será que as longas visitas e passagens nos hospitais chiques de São Paulo e as conversas "ao pé de ouvido" com médicos de grife tem alguma participação nesse tipo de coragem?

Todos sabem que na prática os estudantes ficarão sozinhos, seguindo tabelas e manuais pré-fabricados e transformando a população pobre e carente em cobaias humanas de sua inexperiência profissional.

Aumentar os salários dos médicos, criar plano de carreira e estruturar de verdade o SUS, ah, isso ninguém quer não.  Muito caro e eles adoram fazer economia com a saúde dos outros.

Nessa toada, o próximo passo será declarar a medicina ocidental como "anti-humana" e passar a recrutar xamãs, pajés e curandeiros para fazer a verdadeira "medicina humanizada" no Brasil. 

Na obstetrícia isso já começou: Um grupo xiita radical sectário de pensamento anti-médico chamado de "doulas" estão gritando por ai que o obstetra é um torturador e o hospital é uma casa de sevícias. Mas se é assim, porque essas xiitas "doulas" não fazem o parto da criança na própria residência da gestante?

A resposta é simples: na hora de cobrar a fatura e bancar a poderosa, elas sabem muito bem fazer o teatro e o papel. Mas se não tiver um profissional de verdade para resolver a situação, pode dar problema e ai como fica o discurso não?

Por isso que o colega Heltron postou aqui e reafirmo: Mais que perfumaria, essas doulas, bem como esses paramédicos que querem ser médicos e os políticos que estimulam isso, são os verdadeiros parasitas da medicina. E quem sofre com o parasitismo é quem depende dos médicos, ou seja, a população carente.

Os médicos estão 30 anos atrasados nessa história. Ou acordam agora ou os parasitas irão comer-lhes vivos.

Um comentário:

aldofranklin disse...

O grande problema dos Medicos é que não existe Unidade, não existe Organização, nao existe Articulação!
Cada um so pensa em si, e se está bem, ganhando uma boa grana por mes, nao abraça causa coletiva nem a pau!
Vejam o CRM, a AMB e as Sociedades de Especialidades, esses Dirigentes por muito tempo foram omissos pois suas Clinicas e Serviços estavam sempre gerando grandes quantias financeiras! A partir do momento que começou a "miar", é que esboçaram alguma reação, com bravatas de união e afins! O jogo ta mudado, quem dá as cartas sao as Operadoras de Saude que tem grande poder econômico, de barganha e lobby com Políticos!
Somente com um Projeto de Ruptura que a Saude deste País sairia do Caos!
"Se querem me pagar um trocado pra ser medico, então pra que eu seria? Posso ser varias outras coisas, sem responsabilidade, ganhando um troco também!"...SEM RESPONSABILIDADE...
Ja essas Doulas, isso é discurso manjado! Porque elas então nao fazem a "Casa das Doulas" ou "Casa humanizada"?! Pois bast morrer uma meia dúzia de mulheres ou bebes pra ficarem espertas, tão achando que o Povo é otário?! Hoje em dia todo mundo acessa Internet pelo Celular pra se informar, inclusive o Povão! Ja ja isso para, isso é Modinha...
E politico é assim mesmo, veja o caso dessa senadora, a Vanessa lá do Amazonas, que discursou essa semana defendendo os medicos importados, ja a filhinha dela que é medica, ja ta em Brasília, nao fez um único atendimento no interiozao ou seja, é so conversa mole pra enganar o povão pois quado ficam doentes vão atras de Medico de grife, que o diga Dilma, o barbudo, Sarney...