quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Troca de Gerente Executivo em POA surte efeito, era Gestão mesmo

Perícias no INSS ainda demoram dois meses
Tempo de espera caiu nos últimos dois meses, depois da crise em junho, mas quadro está longe da meta, que é de 23 dias

Itamar Melo

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que o caos no setor de perícias médicas do Estado foi amenizado nos últimos dois meses. Após a crise em junho, que colocou médicos e presidência do instituto em conflito, houve aumento na quantidade de profissionais e queda no tempo de espera por atendimento nas gerências. Apesar da melhora, os números ainda são muito ruins.

As regiões com problemas mais graves tiveram avanço significativo, com redução de 30% no tempo médio de espera por perícia. Na gerência de Porto Alegre, a espera caiu de 87 para 59 dias. Em Canoas, de 79 para 55, e em Passo Fundo, de 44 para 31.

Quando o trabalhador se afasta por motivo de saúde, a empresa é responsável pela remuneração por 15 dias. Depois, o encargo passa para o INSS. O pagamento só começa a ser feito após a perícia. A demora no exame significa que o segurado pode ficar sem renda por um período prolongado.

A crise no serviço de perícias gaúcho estourou no final de junho, quando o presidente nacional do INSS, Jorge (?) Hauschild, afirmou a ZH que os peritos gaúchos realizavam menos exames do que seus colegas de outros Estados e disse suspeitar de que parte deles burlava o sistema de ponto eletrônico para não trabalhar. Na ocasião, havia trabalhadores que precisavam esperar por até quatro meses por um exame. Na ocasião, Hauschild veio ao Rio Grande do Sul, anunciou intervenções no serviço e prometeu melhorar o quadro em 120 dias.

O presidente do INSS atribui a redução nos tempos de espera, ao longo dos últimos dois meses, a medidas como a adoção da meta de 15 atendimentos diários por perito e a destinação de 70% dos médicos às funções de atendimento à população (meta será de 85%). Hauschild cita a implantação da chamada perícia médica eletrônica nas gerências de Porto Alegre, Canoas e Novo Hamburgo.

No sistema, o segurado pode procurar um médico de sua preferência, desde que ele tenha certificação digital fornecida pelo Conselho Regional de Medicina. Esse médico envia o resultado do exame ao INSS. O segurado só vai a uma agência do instituto para assinar o termo de benefício. A perícia eletrônica será estendida no futuro a todo o país.
- Nossa meta é fazer com que quem precisar de perícia possa consegui-la dentro do tempo estimado, que é de, no máximo, 23 dias - diz Hauschild.

Prejuízo a outras áreas

A Associação Gaúcha de Médicos Peritos afirma que a presidência do INSS prejudicou outros serviços para aliviar a situação da perícia no Estado.

Segundo a vice-presidente da entidade, Clarissa Bassin, a queda no tempo de espera foi obtida pelo remanejamento de médicos, que teriam deixado setores como análise de recursos, vistoria de acidentes de trabalho e visitas domiciliares.

— Para cobrir uma área, desguarneceram outras. Isso vai estourar daqui a pouco. Os serviços que foram desguarnecidos vão represar. Os segurados irão à Justiça, e a conta do INSS vai aumentar — afirma Clarissa.

A avaliação da associação é que a causa do quadro é a falta de profissionais (o déficit seria de 200 médicos).

ZERO HORA

3 comentários:

Francisco Cardoso disse...

Sinceramente o Presidente tinha que parar de citar esse atestado médico eletrônico FAKE que ainda não foi usado por falta de legislação e tecnologia adequadas.

Devia parabenizar mais o gestor médico que está atuando para resolver os problemas gerados pela ex-gerente.

aldofranklin disse...

Será que o Presidente do INSS não perçebe que esse tal Atestado Eletrônico já caiu no campo jocoso?
Não existe viabilidade técnica para tal!!!

Heltron Xavier disse...

A sociedade não sabe que essa medida emergencial tem alto custo embutido porque retira e desloca peritos de outras atividades essenciais na previdência também porém de menor visibilidade.
É um paliativo que não quer dizer que a situação foi resolvida e sim, melhor gerenciada. Até para gerir o caos é preciso alguma competência