quarta-feira, 23 de julho de 2014

EDITORIAL: QUANTO PIOR, PIOR.

A carreira de perito médico previdenciário foi obtida após muita luta dos antigos peritos médicos, massacrados com décadas de estagnação financeira e funcional e com apoio direto dos setores dito progressistas contrários à terceirização de atividades fim do Estado.

A frente parlamentar de Saúde foi muito importante, com os deputados Henrique Fontana, Jandira Feghali, Alice Portugal e Arlindo Chinaglia encampando a bandeira da ANMP que, só por isso e pela atuação do Procurador da República Luiz Francisco, conseguiu a vitória do Estado democrático sobre o modelo do governo liberal da época. 

O modelo se mostrou bem sucedido, embora a contra-gosto do governo Lula que, como o antecessor, não gosta de órgãos de controle que prejudiquem o coitadismo, base de seu populismo. O modelo desagradou também aos que viviam do caos previdenciário e da necessidade de pontes para vender favores no meio da dificuldade.

Desde sua consolidação em 2007 a carreira em sendo diuturnamente boicotada pelo próprio INSS e cada vez mais solapada, como se o critério rigoroso e balizado não fosse do interesse dos usuários do sistema. 

Colegas da época testemunham que era impossível desenvolver trabalho pericial enquanto o perito credenciado atuava comprometido apenas com o número maior possível de atendimentos pois desse número saia sua renda e preocupado somente em atender ao melhor interesse do "cliente" (lógica assistencialista), tratando o periciado como seu paciente, sem contar com o mínimo de segurança pessoal, sem relação formal com o Estado, sem risco de responder PAD e desconhecendo a expertise médico-pericial desenvolvida com longo treinamento e prática, além de desconhecer a legislação previdenciária. 

Já tivemos 73% das perícias feitas por credenciados em 2004, fato que levou os peritos à greve por absoluta impossibilidade de fazer um trabalho sério, literalmente enxugando o gelo sujo fabricado por muitos credenciados.

Dez anos depois, baseado em falsas premissas e fundamentação irregular, o INSS retoma o modelo de credenciamento que já se mostrou tão nocivo à previdência pública no passado. Desde já este blog recomenda aos peritos públicos que se declarem impedidos eticamente de avaliar qualquer requerimento/benefício oriundo de médicos credenciados, por não haver isenção na análise do caso.

Esta medida, além de ser uma pá de cal na carreira de Estado, infringe a Lei e tem viés eleitoral, abrindo a porta para milhares de concessões às vésperas do pleito, sobretudo por não haver licitação, mas apenas indicação, no preenchimento de vagas, feitas por agentes públicos nomeados pelo partido no poder. 

Mais um escândalo de proporções inssanas, além de provar que o atual governo é tão ou mais neoliberal que o antecessor.

6 comentários:

Gustavo M. Mendes de Tarso disse...

Vamos fazer outra cartinha de repúdio?

H disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pasqual Mangia Mangia disse...

Esta MPF q o INSS cita e o mesmo q esta indiciando o Diretor do INCA por ter contratado 64 pessoas sem concurso ?

Qual e o criterio ? Tem duas leis opostas em vigencia ?

Atender pessoas com cancer nao e URGENTE !? Isto nao seria DESUMANO (palavra da moda social facista ) deixar pessoas morrendo com cancer pq o Gov. Dilma nao faz concurso publico mesmo ciente q faltam profissionais !!!!!

No INSS tb faltam servidores . Pq nao abre concurso ? Mesmo q no ultimo mais de 50% nao foram nem fazer a prova ( devem ter percebido a " fria " q tavam entrando, fora o salario RIDICULO.

E esse o PT q defende o SERV. PUBLICO. E e contra as privatizacoes ????

E o pivo q nao e atendido ?
Isto e o PT ?!!!!

aldofranklin disse...

Desemprego cai, mas dobra a concessão de Seguro-Desemprego no Brasil.

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/07/desemprego-cai-mas-concessao-de-seguro-desemprego-dobra-no-brasil.html

PIB em queda com emprego constante = Queda de Produtividade.

O Governo sabe que com a volta dos credenciados, teremos fatalmente com a repetição histórica, o aumento da concessão de benefícios previdenciários, e que seja irregulares ou não, e com isso a tensão neste momento de recessão que estamos vivendo, reduziremos a demanda por emprego em época de desemprego, com os empregados “pagando” ainda que indiretamente, a manutenção dessa camada de população economicamente ativa, recebendo algum recurso e diminuindo a pressão social e consequentemente eleitoral no pleito que se segue, para presidência, governador e deputados. Talvez uma tentativa de diminuir a rejeição ao PT, onde pelas palavras do ex-presidente Lula, “só esperava tal nível em 2018”.

O governo está contratando para manter o nível de emprego – função – um dia cavar buracos e no outro tampar – com o dinheiro do seguro desemprego e de benefícios previdenciários, ele paga “o salário do cara” e ainda mantém, por mais algum tempo, a taxa de desemprego “estável” – mas vamos que vamos – se segurem que a queda vai ser doída.

Baixo desemprego, por si só, não quer dizer nada.

Seria possível reduzir o desemprego a zero por meio de uma regressão compulsória na tecnologia: poderíamos abolir completamente o uso de caminhões e trens, e obrigar toda a carga a ser transportada de carro. Isso criaria milhões de novos empregos. Ou poderíamos também abolir o uso do carro e criar ainda mais empregos, pois agora as pessoas só poderiam transportar carga nas costas.

http://mises.org.br/Article.aspx?id=1900

lauro dutra disse...

Ha alguns anos e neste ultimo ato o governo tenta de TUDO para ajudar os peritos, tenta de TUDO para que os peritos tomem uma atitude de paralisação, e os peritos tem mil e uma desculpas para não fazerem NADA... pobre governo, não consegue ajudar os peritos a melhorarem sua carreira...

Jose Luiz Pinheiro Lima disse...

http://www.anmp.com.br/php/rit_nindex.php
´´Como forma de protestar contra o veto presidencial que não concedeu uma jornada de 30 horas semanais, os peritos médicos do INSS decidiram que vão realizar paralisações pontuais nos estados brasileiros. A decisão foi tomada em votação neste sábado (19) durante Assembleia Geral Extraordinária, promovida pela Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), em Brasília. O encontro contou com a participação de Delegados das diversas Gerências Executivas espalhadas pelo país e da Diretoria Executiva da Associação.

O objetivo da Assembleia foi deliberar acerca das formas de mobilização em razão do não atendimento dos pleitos da categoria, relacionados à redução da jornada de trabalho e à reestruturação da carreira de perito médico previdenciário, por parte do Poder Executivo.

Os Delegados presentes votaram pelo indicativo de greve geral, que deverá ser referendado em uma próxima Assembleia-Geral Extraordinária a ser convocada pela Diretoria Executiva da ANMP. Já as paralisações pontuais devem ocorrer em dias a serem definidos pela Associação. Foi elaborada também uma lista de reivindicações a serem implementadas pelo INSS em defesa da segurança, da melhoria das condições de trabalho da perícia médica e o cumprimento na íntegra da legislação previdenciária e das normas emandas pelo Conselho Federal de Medina (CFM). Tais deliberações visam assegurar um atendimento melhor ao segurado e ao cidadão brasileiro, principal objetivo do INSS.

O presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos, Jarbas Simas, aproveitou o momento para esclarecer que acontecerá, na próxima terça-feira (22), uma reunião com o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, onde será levado ao conhecimento dele as decisões tomadas. ``
Ai está a carta de repudio, ainda devem estar rindo dela lá em Brasilia ....