Houve choro e ranger de dentes após a publicação da série "Silêncio das Sociáveis", neste blog, mês retrasado, que mostrava o pantanoso submundo dos bastidores da atuação de algumas pessoas ligadas a movimentos do "Serviço Social" dentro do INSS e que revelou o chocante dado de que o INSS precisa de 10 (dez) sociáveis para fazer o trabalho de 1 (um) Perito Médico.
Em recente reunião técnica em uma capital do Nordeste, as sociáveis fizeram questão de mostrar a sua "produtividade" como que em resposta aos artigos deste blog, porém o resultado foi um fiasco. De janeiro a maio de 2017, segundo seu próprio relatório, todo o conjunto de sociáveis produziu apenas 3.584 avaliações de BPC, o que dá apenas uma média de 716 BPC por mês, confirmando a média de 1 atendimento por dia detectado por este blog.
Apenas UM Perito Médico, neste mesmo período, fez em média 315 perícias mensais, ou 1.575 perícias de janeiro a maio de 2017.
Na prática, bastam 2 Peritos Médicos para fazer o trabalho de TODAS as cerca de 25 assistentes sociais da referida gerência, no mesmo período.
O que chama a atenção é que elas apresentaram um enorme quantitativo de ações de "socialização de informações previdenciárias e assistenciais", em um total de 7.083 individuais e 893 "coletivas". Para traduzir o que quer dizer isso, é como se o Perito Médico deixasse de atender segurado na APS para fazer "reuniões em hospitais e clínicas para explicar assuntos previdenciários".
Além de ser obscena a baixa quantidade de atendimento feito em APS, chama a atenção a enorme quantidade de "socializações" e "atividades externas" feitas no período, com destaque para o "socializações coletivas", que na prática não significam NADA para o cidadão que aguarda na fila do INSS, mas geram alguns questionamentos:
1) Foram pagas "Pesquisas Externas" e demais deslocamentos para a realização dessas "atividades de socialização"?
2) Quais os eventuais comprovantes de atendimento que embasaram eventuais pagamentos de "pesquisas externas" a essas sociáveis por tais atendimentos?
3) As sociáveis tiveram PONTO DO SISREF abonado por isso?
4) Qual o critério dessas atividades? Quem define a prioridade?
5) Porque temos mais eventos externos do que internos se a fila do BPC está a perder de vista?
6) É razoavel dividir pesquisas externas, que poderiam ser feitas por apenas um servidor, por vários servidores, alegando que "cada um acompanha o seu segurado", sendo que o segurado não é do servidor e sim do INSS?
7) É razoável lançar várias pesquisas externas feitas em um único deslocamento em vários dias diferentes?
8) É razoável fazer 2 a 3 pesquisas externas no mês para "acompanhamento de curso" para o mesmo segurado, alegando que "o professor da noite é diferente do professor do dia"? E é recomendável pagar pesquisa externa para "acompanhamento de curso"?
Enfim, um verdadeiro escândalo que precisa de uma séria apuração da auditoria e da corregedoria do INSS e da CGU.
Após o sucesso do pente-fino dos benefícios por incapacidade, está na hora urgente de se iniciar o pente fino das pesquisas externas das sociáveis.