domingo, 20 de junho de 2010

Somente agora?

O que mais se estranha é a perda do "tempo certo" para se agir. Dá um grande aperto no coração ver um atraso de dois, isso mesmo, dois anos, para se agir corretamente. Corretamente? É como aquele quadro de um antigo programa humorístico onde certo sujeito, com "um delay interpretativo", dava a resposta mais do que justa...três horas depois e em meio a uma plateia que nada sabia do que se tratava, provocando confusões enormes.

Também é interessante notar, como um estalo, o quanto amadurecemos nesses dois anos (desde dois mil e oito). Já sabemos com quem conversamos, as artimanhas usadas e a característica "sui generis" nas negociações. Nada como estar no meio para conhecê-lo. Bem que se diz: “de boas intenções o inferno está lotado e, por isso, sempre em expansão. Já caí nas promessas de "voto de confiança" e me senti órfão várias vezes. E como todo órfão, chorei onde “a mãe não escutava”.

Essa história toda, de greve agora, não parece coisa pessoal? Estamos bem... analisem a situação. Um administrador que, pelas declarações públicas, nos odeia (em inauguração de APS no estado de SP discursa contra a perícia médica, inclusive com alterações no seu controle emocional segundo colegas que presenciaram), justamente porque trabalhamos como se deve agir na defesa do bem que é de todos, dos direitos e deveres, na vigilância desse tesouro que ajudamos a acumular, dia após dia, e por resgatarmos a autonomia e isenção do ato médico pericial. Tudo isso deixa transparecer que nos desejam destruídos e enfraquecidos sendo guarnecidos pelo seu décimo escalão hierárquico de "capitães do mato" que fazem qualquer coisa para prejudicar e desrespeitar a perícia médica. Não era para chegar nesse ponto. Avisos não faltaram. Avisar reis e imperadores de que estão nus nos coloca sob a pena de sermos taxados de oposição, quinta coluna, destruidores de associação e aí vai. Quem não bajula é inimigo e quem bajula não tem defeitos.

Mas greve não deixa de ter sua legitimidade. Os peritos defendem aproximadamente oitenta e quatro por cento (?) de contribuintes que olham, desinformados, sua poupança compulsória, a título de aposentadoria, ser drenada de forma diversa. Cerca de sete por cento dos segurados (a média mundial?), requer de forma justa e cumprindo o objetivo moral e legal o “auxílio-incapacidade” (me recuso a usar o nome legal e original: auxílio-doença). Mas, os outros sete por cento podem estar ( e acredito que estão) usando o referido benefício como complemento de renda e até mesmo nas exacerbações de incapacidade que não existe (com a finalidade de “meter a mão no que não se tem direito”). E quem são os guardiões, que deveriam ser valorizados e defendidos pela casa? Os tão mal vistos peritos, que a cada exercício bem feito do seu dever público, criam dificuldades politiqueiras que desagradam.

Mas, voltando à greve, não podemos negar (a despeito de tudo que se escreveu acima) que um veto, depois da matéria analisada e aprovada pelo Congresso Nacional e pelo Senado Nacional soa como um grande desrespeito aos representantes do povo e ao próprio povo. Mas, como dito antes: somente agora os peritos médicos do INSS se cansaram de tantos maus-tratos e de tanta engabelação? Fossem os auditores fiscais (da Receita Federal ou do INSS), o caldo já teria entornado há mais tempo. A diferença parece estar nas lideranças e no amor-próprio de cada profissional.

Deflagrada a greve quem vai se arriscar a seguir o líder e depois de acordar, pela madrugada, consultar seu e-mail e ler que “em nome da boa vontade, vamos cessar a greve e dar mais um voto de confiança nas negociações”? E mais. Não é somente pela carreira que se sacrifica. A carreira e os líderes da mesma não se separam, pois o que os líderes plantam quem colhe é a massa pericial. Se os líderes criam inimigos, os mesmos se vingam no baixo clero. Se o líder abandona um perito à sua sorte, pode abandonar todos também. Mas a associação é dos seus associados, e não me incluo mais nesse seleto clube. Que tenham iluminação e inteligência suficiente para fazer, dessa vez, a coisa certa. Podem começar trocando a liderança. Mas isso é com eles: os sócios.

2 comentários:

Anônimo disse...

A perícia médica não foi criada por amor ao suado depósito compulsório, em folha de pagamento, que cada trabalhador sofre mensalmente. Foi uma imposição da justiça, catalisada por alguns bravos peritos e um procurador de moral inquestionável. Era muito mais interessante para a politicagem, a farra de antes (inclusive para os colegas credenciados). A valorização da carreira e sua manutenção somente depende dos peritos terem coragem de mostrar para cada cidadão desinformado, para onde seu sua dinheiro e sua aposentadoria vão caso essa carreira fracasse (não existirá um centavo em menos de dez anos se o controle não for sério). É o desmonte da possibilidade de uma velhice mais tranquila em prol das manobras sindicalistas irresponsáveis e politiqueiras. O povo, quando acordar, não terá como reparar o erro da alienação. Dinheiro gasto sem responsabilidade é igual a carvão queimado: virá cinzas.

Claudia disse...

Parabéns Herbert pelo excelente texto ! Concordo com você em número , gênero e grau .
Poucos sabem o que está atrás de uma greve, infelizmente a maioria da população ficam com a imagem da idéia estereotipada que a TV sem muito esforco incute .
Desejo sucesso e que vocês façam jus ao que merecem : reconhecimento, que é o que todo cidadão busca ..