segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

INSS MONTA OPERAÇÃO CARACU EM PORTO ALEGRE

O INSS não aprende com os próprios erros. A eterna tentativa em querer corrigir os problemas tratando médico como se fosse burro de carga sem entender o fenômeno da fila e sem saber fazer o diagnóstico da "doença da fila" (claro, quem comanda não é médico e não faz a menor idéia do que é fazer um diagnóstico) causaram o colapso do atendimento médico pericial no País.

O primeiro local onde isso ocorreu de forma consumada foi na SR Sul, que chegou a ter 841 peritos em dezembro de 2010 e fechou dezembro de 2012 com apenas 255 peritos. Isso mesmo leitores, em 2 anos a SR Sul perdeu 586 peritos, 70% do quadro pericial entrou no esvaziômetro (exonerômetro + aposentômetro).

E mesmo assim o INSS sequer era capaz de manter esses sobreviventes (melhor termo para definir um perito no Sul) no atendimento prioritário. Dados de outubro mostram que mesmo com apenas 267 peritos, 50 deles estavam "à disposição" de outros órgãos ou setores, 20% do quadro pericial.

Enrolaram por um ano a Justiça Gaúcha e a DPU; Inventaram mentiras como o atestado médico eletrônico, ficção não-científica do ex-Presidente Hauschild baseada em falsas premissas. Nada deu certo, a justiça cansou e condenou o INSS a pagar todo requerimento de auxílio-doença com mais de 45 dias de espera.

Agora que foram notificados, bateu o desespero. Qual solução adotar? Reformular as regras? Regularizar o fluxo administrativo e acabar com essa palhaçada de deixar qualquer um marcar perícia sem prévia filtragem administrativa? Instituir a circunscrição obrigatória para impedir que um segurado de Rondônia agende pelo 135 uma perícia em Canoas e ganhe o benefício sem perícia?

Não: A tática dos ineptos que insistem quem querer comandar a área de benefícios por incapacidade é a única que sabem fazer: Pressionar mais, esmagar mais e chicotear mais os peritos gaúchos e espremê-los até parar de sair sangue.

Já tentaram assédio moral ano passado, chamando os peritos de vagabundos com direito a entrevista caluniosa na mídia local. Após a reação dos peritos, com demonstração matemática de que os peritos gaúchos são os que mais trabalham e mais produzem mesmo na adversidade e com a comprovação documental da culpa da gestão, foi apenas questão de dias para o ex-Presidente cair. O ex-presidente, que chamou os peritos de vagabundos na ocasião, ironia do destino, caiu e responde PAD por corrupção e improbidade após ser pego em operação da PF.

Agora consta que irão in loco a Porto Alegre comandar pessoalmente o chicote, aumentando agendas e pressionando feitura de perícias mesmo em situação de irregularidade documental. Oferecem ao Presidente do INSS o famoso esquema CARACU, onde os superintendentes entram com a cara e os peritos com o resto. Querem pressionar mais ainda os poucos médicos que ainda se dispõe a trabalhar para o INSS no Sul.

Acham que assim se livrarão do problema. Ledo engano. O aumento da pressão só irá diminuir a produtividade e aumentar o exonerômetro, agravando ainda mais o quadro. 

Pode começar a assinar os cheques, INSS. Serão muitos.  Se querem uma dica de como resolver o problema, leiam aqui, aqui, aqui e aqui.

domingo, 6 de janeiro de 2013

DILMA QUER GOVERNO DE METAS

Domingo, 06 de Janeiro de 2013
Dilma criará metas para ministérios, inspirada no setor privado e em planos da China
Fonte: Agência O Globo

A presidente Dilma Rousseff quer marcar a segunda metade do seu mandato pela eficiência e criar metas concretas para cobrar resultados efetivos de todas as pastas da Esplanada dos Ministérios. Para isso, deu até o fim de fevereiro para que apresentem compromissos realistas e indicadores da evolução de cada uma das áreas. A ideia é criar um sistema semelhante ao que já existe em grandes empresas privadas, mas com a visão de longo prazo dos planos quinquenais da China.

Os planos feitos pelos ministros de Dilma deverão ser avaliados pela presidente de modo que, até o final deste semestre, já se possam desenhar a estratégia e as metas a serem perseguidas pelas diversas áreas do seu governo. A gestão é um dos temas que a oposição pretende levar para o embate eleitoral nas eleições presidenciais em 2014.

A presidente já determinou que as áreas de infraestrutura façam um grande mapa dos investimentos que devem acontecer e como deverão ser os resultados. O mesmo deverá ser feito nos segmentos de saúde e educação, que terão metas e regras mais claras para serem cumpridas.

Hospitais e escolas monitorados

Nem mesmo a economia, que já está atrelada a metas anuais, escapará dos olhos de Dilma. Além do Ministério da Fazenda, o Desenvolvimento terá de ter seus compromissos. Em 2012, a balança comercial registrou o pior resultado dos últimos dez anos. Entre algumas das propostas em análise estariam a de inclusão de metas para o aumento da participação brasileira nas exportações mundiais, bem como o incremento das áreas de inovação e tecnologia.

Muitas promessas de campanha de Dilma para a economia ainda não saíram do papel. Os chamados gargalos na infraestrutura brasileira e o baixo crescimento econômico até agora foram alguns dos problemas da presidente, apresentada ao país como a gerente do popular governo Lula.

Levantamento feito pelo GLOBO e publicado no dia 29 de dezembro mostra que, das 46 promessas mensuráveis contidas no texto “Os 13 compromissos programáticos de Dilma Rousseff para debate na sociedade brasileira”, 24 caminham em ritmo lento e 22 estão em ritmo bom. O combate à miséria e a manutenção das taxas de emprego são os pontos mais fortes. Mas entre as dez promessas mais importantes, considerando-se a ênfase dedicada a elas na campanha eleitoral ou seu impacto social, a maioria está longe de ser cumprida. É exatamente esse quadro que a presidente pretende alterar até o fim do seu mandato, para confirmar a sua imagem de boa gestora.

Este ano também deve começar a funcionar um grande plano de monitoramento em tempo real de áreas consideradas delicadas e estratégicas pelo governo. Informações recolhidas a partir de câmeras instaladas em hospitais e escolas, por exemplo, além de números que serão acompanhados com lupa por uma equipe designada pelo governo federal para cuidar exclusivamente desse acompanhamento, deverão abastecer um sistema informatizado ao qual o Palácio do Planalto tem acesso. A partir desse novo programa, que deve ficar pronto ainda este ano, o Executivo terá como saber se médicos de hospitais federais e peritos do INSS estão atendendo muito ou pouco e se estão cumprindo a escala de trabalho.

Será, ainda, possível monitorar se os recursos públicos estão chegando às escolas e como são gastos. O que o Palácio quer é incluir nesse sistema cada vez mais serviços prestados à população. Este é considerado um dos principais desafios do país e a maior queixa dos brasileiros.

Saúde é problema para classe média

O contingente adicional de 37 milhões de pessoas incorporadas à classe média brasileira — estimada em 104 milhões de pessoas este ano — impôs ao governo federal o desafio de adequar as políticas públicas e os serviços oferecidos pelo Estado aos novos interesses de uma camada crescente da população, mais exigente, que já é maioria (53%) e pode decidir uma eleição. O orçamento maior no fim do mês trouxe o desejo de consumir serviços privados e chancelou a percepção de que a qualidade desses mesmos serviços fornecidos pelo Estado está muito aquém das necessidades do cidadão.

O grande hiato de qualidade estaria sobretudo na saúde. Essas pessoas já preferem pagar pelas escolas dos filhos ou recorrer a hospitais particulares. E não abrem mão do plano de saúde. Enquanto 5% da classe baixa possuem planos de saúde, esse percentual sobe para 24% na classe média. Esta é uma das conclusões do caderno “Vozes da Classe Média”, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República.

DM 24 AM

INSS é responsável pela demora na análise de 92% dos benefícios no AM
05 Jan 2013 . 10:00 h . Daisy Melo . portal@d24am.com

A falta de peritos médicos é a principal causa da espera. O tempo excedia os 45 dias em 33,8% dos casos, de cerca de 1,5 mil benefícios requeridos, indica Ministério da Previdência.
[ i ]Associação diz que Estado precisa de, pelo menos, o dobro de médicos do trabalho.

O neurocirurgião e a bala perdida no RJ 5 - Caos na Saúde do Rio revelada com escândalo.





E a cada dia fica mais difícil a estratégia do Eduardo Paespalho em crucificar um médico demissionário e faltoso contumaz pela falta de estrutura de atendimento nos hospitais municipais do Rio.

A falta do neurocirurgião não exime a responsabilidade do chefe do plantão, do chefe da neurocirurgia e do diretor do Hospital em, respectivamente, não ter removido rapidamente a vítima para outro hospital, não ter providenciado substituto ou ido pessoalmente cobrir a escala do faltoso e por não conseguir administrar nem gerenciar nada e transformar o Salgado Filho numa zona.

Tendências/Debates: Médicos inaptos: algozes ou vítimas?

06/01/2013 - 03h08
DA FOLHA DE SÃO PAULO


MIGUEL SROUGI

Os últimos dias não foram de felicidade para os brasileiros. Entre outros motivos, descobriram que 54,5% dos médicos recém-formados da nação são inaptos para a profissão.

Não fiquei surpreso com o número e com a indignação. Afinal, lideranças e educadores médicos já conheciam a indecência e, impotentes, nunca conseguiram eliminá-la. Sem tergiversar, julgo que profissionais inaptos devem ser impedidos de exercer a profissão e que uma legislação impondo um exame de capacitação dos novos médicos já deveria ter sido promulgada.

Contudo, não posso deixar de expressar certa angústia quando dirijo um olhar a esse grupo. Confesso que nunca me deparei com um médico recém-formado que não acalentasse o sonho de se tornar um profissional respeitado. Se isso não se concretiza, suspeito que outras razões produzem o descompasso. Entre elas, a mistura de uma sociedade complacente e governantes incompetentes.

Como ignorar a influência negativa da sociedade, que se rejubila com a abertura de novas escolas médicas, iludida pela ideia de que estão sendo criadas maiores oportunidades para seus jovens? Cedendo a esses apelos e à pressão de empresários oportunistas, o governo federal autorizou, entre 2000 e 2012, a abertura de 98 novas faculdades, perfazendo um total de 198 escolas no país; nos Estados Unidos, habitado por 314,3 milhões de pessoas, existem 137 instituições similares.

Numa nação de dimensões continentais e insuportável desigualdade, seria racional que as novas escolas médicas fossem acomodadas em regiões remotas do Brasil. Contudo, 70% delas foram instaladas na região sudeste, rica e congestionada, e 74% são de natureza privada, cobrando taxas exorbitantes de alunos.

Contrariando as leis vigentes, a maioria desses centros não dispõe de instalações hospitalares adaptadas para o ensino e carecem de corpo docente qualificado. Isso indica que o processo foi norteado por interesses políticos menores e pelo anseio do lucro desmedido e predador.

Agravando esse cenário, autoridades federais têm dado demonstrações adicionais de inconsequência e de tolerância suspeita. Uma comissão especial do MEC presidida pelo professor Adib Jatene descredenciou, há um ano, algumas escolas médicas, pela baixa qualidade de ensino. De forma misteriosa e inexplicável, a Comissão Nacional de Educação cancelou, em fevereiro passado, a ação corretiva adotada. Resolução nefasta para a sociedade brasileira e auspiciosa para os mesmos predadores da nação.

Nossa presidente anunciou sua disposição de abrir mais 4.500 vagas para alunos de medicina (algo como 55 novas escolas). Num momento em que as universidade federais se encontram em estado de penúria, essa meta torna-se um devaneio descompassado com a realidade da nação.

Mais importante do que criar novas faculdades seria aumentar as vagas para residência médica. Cerca de 6.000 novos médicos formados a cada ano não dispõem de locais para realizar a residência, a etapa mais relevante para a formação de profissionais qualificados.

Outra proposta governamental, tão cândida quando descabida, é autorizar o trabalho em nosso país de médicos patrícios formados no exterior, sem exames de proficiência. Se 54,5% de médicos recém-formados inaptos causam indignação, como reagir ao fato de que em 2011, num exame oficial de revalidação de diplomas de 677 médicos graduados no exterior, 90,5% deles foram considerados inaptos?
Termino referindo-me a uma realidade que Riobaldo, o jagunço-filósofo de Guimarães Rosa, soube muito bem descortinar. "Um sentir é o do sentente, mas o outro é do sentidor."

Reconheço que as inquietações expressas sobre as aptidões dos recém-formados são justificadas por quem sente de fora. Mas como um dos que sentem de dentro, não posso deixar de dizer que, ao invés de algozes, a imensa maioria dos novos médicos da nação são vítimas de um enredo perverso que mistura uma sociedade permissiva, escolas médicas deficientes e governantes incapazes. Que transformam esperanças incontidas em sonhos frustrados.

MIGUEL SROUGI, 66, pós-graduado em urologia pela Universidade de Harvard (EUA), é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente do conselho do Instituto Criança é Vida

Após a euforia, o balde de gelo: carreira de estado para médico em SP

Após a euforia, injetada na alma dos médicos pelas publicações na imprensa oficial e privada, aparece o balde de gelo para congelar a alma dos médicos de São Paulo. Eis que segue o texto da lei. Após se ler tudo, chega-se a uma conclusão: o salário é baixíssimo e os resto são penduricalhos com regras obscuras e ainda não claras, e que podem criar um perigoso empasse: o médico para receber seu salário, pois será dedicação exclusiva, terá que priorizar a quantidade em relação à qualidade. Mais uma vez, os médicos ficaram muito mal mesmo. Espero que tal lei seja melhorada, ou continuaremos tendo uma saúde pública sem  médicos. Só um incauto para aceitar o que segue abaixo. E para piorar, é uma carreira com tempo absurdo para se melhorar alguma coisa em cada nível. Pq não colocam nos mesmos moldes da Receita Federal ou mesmo da estadual? Ah, não pode. Como sempre: médico só é importante na hora do aperto, na exigência e cobrança, depois...

Para ler a Lei de Carreira de Médico do Estado de SP, clique aqui.

O Neurocirurgião e a bala perdida no RJ 4 - Chefe de Plantão foi avisado com antecedência da falta

Agora acabaram as desculpas. O chefe do serviço de neurocirurgia soube com 3 dias de antecedência, conforme regem as determinações do CRM, que o médico neurocirurgião Adão Crespo iria faltar ao plantão de 24/12. Mas apesar de admitir isso, ele tentou tergiversar dizendo que a responsabilidade era de quem está escalado.

Ledo engano, colega. Para que existe uma chefia se a responsabilidade da escala é de quem está escalado? Assim até eu vou ser chefe de escala. A responsabilidade é toda sua, que ficou ciente da falta com 72h de antecedência, o que já afasta o delito ético, e não tomou nenhuma atitude para cobrir esse plantão.

Na sabida ausência do plantonista dentro do prazo de 72h, a responsabilidade de cobrir a escala é SUA, colega, não é mais do médico faltoso.

O diretor do Hospital e o Chefe de Plantão negaram saber que o neurocirurgião faltaria ou vinha faltando. Ou seja, estão colocando a culpa no seu colo. Estão dizendo que o senhor foi omisso, não avisou a eles, e por isso eles não podiam fazer nada.

OK, mas isso não explica o porque então de ter demorado 8h para a remoção da criança para um hospital equipado e com neurocirurgiões. Esse é outro ponto que tem que ser apurado.

Ao chefe do serviço de neurocirurgia que admitiu saber desde o dia 21 que o médico faltaria dia 24, é melhor arrumar outra linha de defesa, fica a dica.

E, por fim, nessa briga para culpar médicos pelos problemas da sociedade, o bandido que atirou continua atirando e matando livremente. Esse é o Rio de Eduardo Paespalho e Sérgio Cabral.

IML DE SÃO PAULO ENTREGUE ÀS MOSCAS


DA FOLHA DE SÃO PAULO
LEANDRO MACHADO
DE SÃO PAULO

Poucos técnicos de raio-X, sistema de exaustão imundo, impressora que não imprime, fedor de cadáver putrefeito perto da sala de necropsia.


Esse é o cenário que a Folha encontrou ao visitar cinco dos seis postos do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo nas últimas três semanas. Não foi permitido acesso ao posto central, no Hospital das Clínicas.
Editoria de Arte/Folhapress


Em São Paulo, que teve 1.327 assassinatos até novembro, há só um técnico de raio-X por plantão para os postos do IML, para onde vão mortos por causa violenta ou suspeita.

Quando chamado, o plantonista precisa se deslocar até 36,5 km entre as unidades, ou 50 minutos sem trânsito. O plantão no IML é de 12 horas.

Em novembro, por exemplo, quando a PM Marta Umbelina da Silva, 44, foi morta com ao menos dez tiros nas costas, o exame foi feito horas depois. Faltava o técnico.

Segundo funcionários, a direção do IML chega a pressionar a equipe para liberar os corpos com mais rapidez, pois familiares reclamam da demora da necropsia.

Um médico revelou já ter liberado corpos baleados sem ter feito o raio-X. Outro contou ter esperado três dias para o exame. O corpo, diz, entrou em decomposição.

O exame serve para saber em que parte do corpo uma bala se alojou. Sem ele, o médico tem que procurar a bala no corpo, o que demora mais.

Falta de material adequado para trabalho foi outro problema relatado à Folha.


O IML de São Paulo comprou por R$ 157 mil, em maio, duas máquinas para "embalar" corpos e conter o mau cheiro. Uma delas foi enviada ao IML central. A outra, mandada à unidade oeste (Vila Leopoldina), nunca funcionou e está abandonada, dizem funcionários.


O problema é que os corpos não passam pela entrada do equipamento, pois cadáveres putrefeitos ficam inchados por gases e mantêm os braços abertos, em posição conhecida como "lutador".




Eduardo Anizelli/FolhapressAnteriorPróxima
Paredes danificadas no IML da Vila Leopoldina, em São Paulo


VAQUINHA


Cortar ossos também já foi um problema para médicos legistas. Em 2009, funcionários do IML Leste 1, em Artur Alvim, arrecadaram dinheiro para comprar uma serra elétrica. Antes, o procedimento era com um serrote comum.


No local, há mato alto no entorno, falta bebedouro para o público e papel higiênico.


A vaquinha é um expediente comum também na zona norte, no posto do Mandaqui, para comprar água, sabonete e itens de higiene pessoal.


Em outra unidade, na Vila Leopoldina, zona oeste, o cheiro forte de corpos em decomposição chega a 10 metros da sala de necropsia. O sistema de exaustão, que impediria a concentração do odor, não tinha o filtro limpo havia oito anos, dizem funcionários.


Assim que a Folha questionou a Secretaria de Estado da Segurança Pública sobre o problema, o filtro foi trocado.


Na sala, moscas mortas estavam na mesa. E a impressora do posto quebrou, o que impede a emissão de laudos.


SEM USO


Aberto há dois anos, o IML Leste 2, em São Mateus, tem uma sala de necropsia pronta, sem uso. O local carece de ajustes, como a troca do encanamento -que, por ser muito fino, pode entupir facilmente com cabelos ou ossos. Mais: a tubulação está ligada à rede comum de esgoto, o que pode causar contaminação -o sistema terá que ser mudado.


A sala será aberta em 2014.


A Folha foi ao posto da zona sul, no Brooklin, por volta das 21h, após o fechamento da unidade ao público, percorreu a unidade e não viu funcionários. Foi possível entrar em uma sala onde havia um cadáver. A reportagem saiu sem ter sido notada."

Nota do BLOG: É assim que o estado brasileiro (escrevo com minúsculas mesmo) trata o cidadão, suas famílias. Não são respeitados em vida muito menos na morte. A população erroneamente dirige sua fúria para os servidores da ponta, que precisam fazer seu serviço em condições assim, quando na verdade deveriam dirigir sua raiva aos dirigentes e políticos que os indicam aos cargos. No INSS a situação é igual e São Paulo não difere do resto do país.


A população é cúmplice da má gestão pública pois vota nos governantes que fazem isso e não cobram deles as medidas necessárias para corrigir o caos instalado. Talvez por isso prefiram o caminho mais fácil, que é culpar o servidor que está ali sob assédio moral duplo (das chefias e da precariedade insalubre local).


Enquanto a população for cúmplice disso, não haverá melhora. E podem xingar os peritos à vontade, pois a culpa é sua, cidadão presunçoso, preguiçoso e ignorante que provavelmente nem se lembra em quem votou nas eleições de 2012.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

EDUARDO PAESPALHO, PREFEITO DO RIO, MOSTRA PORQUE FAZ JUS AO APELIDO.

Um bandido atirou na noite de Natal, a bala achou a cabeça de uma criança de oito anos (jamais entendi o termo "bala perdida"). A criança foi levada para um hospital municipal onde esperou por OITO longas horas por uma remoção para um hospital com neurocirugião. A justificativa: o neurocirurgião havia faltado ao plantão. A criança sobreviveu à negligência do SUS municipal mas não conseguiu sobreviver à negligência da segurança estadual. A bala matou a criança. Jamais saberíamos se sobreviveria mesmo se tivesse sido operada na hora e não sabemos como conseguiu sobreviver por oito horas sem atendimento especializado.

Os gestores e a mídia nem perderam tempo: A culpa não era do bandido, era do médico que faltou. Sem saber sequer se ele estava vivo ou não, já foi crucificado na mídia. O prefeito do Rio o chamou de delinquente. O bandido certamente ao abrir o jornal agradeceu por ter sido desresponsabilizado pela morte da menina. 

Acharam o médico. O médico estava vivo, disse que já vinha faltando ao plantão há um mês por não concordar com as condições de trabalho impostas. Uma dessas condições era o não cumprimento, por parte da Secretaria Municipal de Saúde, de ter pelo menos dois neurocirurgiões de plantão e não apenas um. Neurocirurgia é algo complexo e demorado, as cirurgias facilmente passam de 8-10h de duração. É um crime deixar apenas um neurocirurgião na sala. As chances de darem errado são enormes. É por isso que precisa de no mínimo dois.

Após a declaração, os julgadores ficaram confusos. Mas se o médico já vinha faltando há um mês, porque estava escalado para a noite de Natal? E porque também continuava escalado para o Reveillón mesmo 48h após os eventos ocorrerem? Delinquente, senhor prefeito? Quem foi o delinquente que fez essa escala? Foi o senhor? Certamente alguém que o senhor nomeou. A SMS negou saber dessas faltas. A SMS não sabe quem vai trabalhar? Que diabos existe uma Secretaria que sequer consegue ver quem comparece ao trabalho e quem falta? Como ordena pagamentos assim?

O médico que faltou é culpado, dizem. Culpado de que exatamente? Da negligência do atendimento? Claro que não, ele não estava lá, como seria possível. Ele faltou ao plantão. Por mais incrível que possa parecer, médicos também são trabalhadores e podem faltar ao plantão, ao consultório, ao hospital. Sim, pode sim. Mas se fizer isso com torpeza ou irresponsabilidade pode responder por infrações administrativas e éticas, eventualmente até mesmo demissão por justa causa ou condenação pelo CRM.

Mas como culpar por ato médico indevido (negligência) a quem não estava lá? Um hospital não pode ficar a mercê da vontade do médico. TEM QUE TER um sistema de integração e planejamento para caso de faltas. E se o médico faltar por estar doente? Ou por ter um ente familiar gravemente enfermo? Ou se bater o carro? O hospital tem que ter planejamento. Para isso existe um Diretor, que pelo nome diz, tem que se responsabilizar pelos fluxos de imprevistos. O Diretor nomeou um Chefe de Plantão. Ambos são médicos, ganham para isso sem ter que atender o público. Ganham só para isso. O que estavam fazendo nessa noite de Natal o Diretor do Hospital Salgado Filho e o Chefe de Plantão do PS?

Como que um neurocirurgião falta, o único da escala, e isso não é avisado? A menina chegou grave, baleada na cabeça. O Chefe do plantão não fez nada pra removê-la a um hospital equipado? Todos esses hospitais possuem ambulâncias, porque demorou oito horas para a remoção? Onde estava o chefe do plantão? Onde estava o Diretor do Hospital? Onde estava o Secretário de Saúde que não "sabia" dessa ocorrência tão grave?

Essa sim foi a negligência. Negligência e incompetência do chefe de plantão, que vê um caso desses e leva 8h para tomar uma providência, negligência do diretor do hospital, do secretário de saúde que responde pela gestão do SUS. Em última análise, negligência do Prefeito Paespalho.

O médico errou ao faltar? Sim. Mas ele já faltava há 30 dias, isso é caso de exoneração segundo a Lei. Exoneração por abandono de emprego, inassiduidade. Cadê o processo de exoneração? Cadê o Diretor reformulando a escala para cobrir o faltoso? Cadê o chefe de plantão articulado para remover os casos de neurocirurgia?

Só descobriram que estavam sem neurocirurgião após a entrada da menina baleada na cabeça? Para que se paga a esses gestores então?

E se o médico tivesse comparecido ao plantão, o que teria acontecido? Com UM neurocirurgião apenas, ou ele iria remover o caso de qualquer jeito para hospital com mais de um colega ou ele ia operar (mal) a menina pois com um neurocirurgião apenas a qualidade certamente ficará comprometida.

O prefeito paespalho tentou disfarçar quando questionado sobre a escala e o número de cirurgiões. Disse que era corporativismo médico e que seguia normas do MS. Que normas são essas? Tratam-se de textos vagos feitos por não-médicos para justificar o baixo gasto em saúde.

No hospital que o Prefeito Paespalho frequenta e leva a sua família quando precisa (obviamente não é nenhum dos hospitais muinicipais que ele comanda, pois é paespalho mas não é louco) existem vários neurocirurgiões a postos, como deve ser.

Mas para os eleitores mais humildes, ele defende o oposto, defende a má medicina, a medicina de pobre que justifica colocar apenas UM neurocirurgião de plantão e leva 8h para remover um caso grave.

O caso da menina Adrielly revelou toda a farsa com a qual a saúde pública é tratada não só no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Para a elite, hospitais de ponta com equipes multi"medicais" cheias de doutores para cuidar do político e do rico. Para o pobre, hospitais sucateados, abandonados, sem gestão, sem cuidado, com equipes multi"profissionais" onde o que mais falta é médico.

Para o rico, médicos de grife. Para os pobres, não precisa de médico pois tem um estudo do MS e outro da OMS que diz que para 100.000 habitantes etc etc etc.

E esse texto não se trata de corporativismo, se trata de restabelecer a verdade dos fatos:

O neurocirurgião que faltou errou ao abandonar o emprego. Devia ter pedido demissão logo. Isso é um erro administrativo e ético e deve ser tratado como tal. Mas ele não pode ser culpado pelo o que ocorreu na sua ausência, pois não era o único médico de plantão.

O chefe do plantão falhou gravemente ao não atuar para tentar cobrir a falta ou remover rapidamente a paciente. falhou ao não avisar que o médico faltou e/ou vinha faltando. (Isso é o que a SMS diz).

O Diretor do hospital falhou ao não perceber o furo de escala e nomear um faltoso contumaz para escalas críticas (Natal e Reveillón). Falhou ao não dar a estrutura necessária para cobrir a falta do neurocirurgião.

O Secretário de Saúde falhou ao não conseguir manter equipes completas conforme ele mesmo mantinha no hospital privado de elite onde atuava antes de virar secretário de saúde.

O Prefeito Paespalho falhou ao fracassar na gestão do SUS, ao mostrar-se ser inepto para gerir um sistema de saúde e por tabela a própria prefeitura, por bancar o corno de só saber "por último", por ter prometido 4 anos atrás em sua eleição inicial que iria consertar a saúde e ESPECIFICAMENTE citou o Hospital Salgado Filho, no Méier.

O Governador Cabral falhou ao fracassar em suas políticas de segurança que permitem que até hoje cabeças de crianças sejam encontradas por balas disparadas por traficantes que não tem medo de sua polícia mal paga, mal treinada e desrespeitada pelo próprio Governo.

O bandido se deu bem pois na ânsia em comer o corpo do neurocirurgião faltoso a mídia e o governo esqueceram de ir atrás de quem atirou. Certamente se fosse a cabeça de alguém da elite o traficante seria achado facilmente e em poucos dias. Mas como era uma pobre menina, se bobear o traficante vai se juntar à multidão pedindo a cabeça do neurocirurgião.

Todos e a mídia falharam ao caírem no conto do gestor e buscar um culpado "Judas" para cobrir a REAL CULPA de quem transformou a Saúde do Rio na pior Saúde do Brasil segundo dados do SUS divulgados pelo MS em 2012. O prefeito deu chilique e quis culpar a "corporação médica" por ser um prefeito inepto, incompetente e omisso.

Poucas vezes eu vi uma pessoa merecer tanto um apelido como o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paespalho, merece.

Na foto, Prefeito Paespalho mostra que de fato "Somos todos um Rio"

Caso do neurocirurgião do Rio ganha novos contornos...aos poucos fica difícil ocultar a péssima gestão.

Alguns médicos comentam que se fossem esse médico acusado e caluniado já teriam (entre prefeitura e imprensa) processado muita gente. Primeiro colocaram seu nome na lama. Mas, quando se investiga bem, a coisa é muito mais complicada e ele o bode expiatório que achavam que seria o suficiente.
Leiam:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1210010-chefe-do-plantao-culpa-medico-por-demora-para-atender-menina-baleada.shtml

R7 - Polícia ouve médicos sobre atendimento de menina vítima de bala perdida no Rio


publicado em 04/01/2013 às 16h52

Morre Vítima da incompentência na Gestão da Saúde do Rio

04/01/2013 15h42 - Atualizado em 04/01/2013 16h00
Morre menina vítima de bala perdida na noite de Natal no Rio
Adrielly dos Santos, 10 anos, esperou 8 horas por atendimento em hospital.
Criança já havia tido morte cerebral no último domingo (30).

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

20H A PERIGO.

Os operadores do caos previdenciário e detratores da perícia em geral estão fazendo pressão em Brasília  e ventilando para ouvidos selecionados que as 20h dos peritos não virão mais. Estão até mesmo tentando convencer a Presidência do INSS de que a saída esperada de mais de 800 peritos por aposentadoria em 2013 não causará impacto significativo na fila (como se essa já não estivesse impactada o suficiente). Apostam que a ameaça de exonerômetro em massa é blefe.

Acham que vão conseguir dissuadir o MPS e o MPOG de reduzir a carga horária dos peritos médicos, pois seus únicos interesses são o de verem a perícia naufragar, com isso mantendo seus postinhos de comando na máquina interna do INSS. 

Tudo em que esses operadores do caos do INSS apostaram até hoje em termos de perícia, erraram feio.
A questão é saber se diante de tanto fracasso prognóstico, digno de uma "Mãe Dinah", se o Presidente do INSS e o Ministro da Previdência iriam acreditar neles, mais uma vez.

O Neurocirurgião e a bala perdida 3 - Resposta do Vereador Paulo Pinheiro ao Prefeito do Rio

Querequequé

Poucos dias após o natal, o Prefeito Eduardo Paes sentenciou: “Não aceito ‘querequequé’ de corporação. Essa história de ter que ter dois, ter três... Não tem que ter nada. Tem que ter neurologista”. Em artigo publicado no Globo, Elio Gaspari fala muito bem sobre o assunto, mas acrescento duas perguntas:


1- Se é o prefeito que vai escolher quem sobreviverá quando acontecer um acidente automobilístico em que haja a necessidade da descompressão de dois (ou mais) crânios ao mesmo tempo?
2 - Caso acontecesse com um familiar dele o mesmo que aconteceu com a menina Adrielly ou com o rapaz que morreu porque não havia cirurgião vascular no Paulino Werneck, o senhor prefeito pensaria da mesma forma?


Aquilo que o Prefeito chama de QUEREQUEQUÉ de corporação, eu chamo de descaso, economia com a saúde dos outros, falta de condições de trabalho dignas, incompetência de gestão de Recursos Humanos... Enfim, sucateamento com uma finalidade simples: privatizar para aqueles que adoram tirar um QUEREQUEQUÉ qualquer terceirizando serviços de saúde pública.


Basta olhar os jornais desde o início das privatizações das Organizações Sociais que o prefeito vai ver que elas estiveram mais presentes nas paginas policiais do que em editoriais que falam da melhoria dos serviços públicos no segmento. Nos últimos dias, por exemplo, ele desqualificou duas delas, que receberam mais de 60 milhões de QUEREQUEQUÉS dos cofres públicos. Em ambos os casos, várias irregularidades foram detectadas e denunciadas pelo meu mandato há mais de um ano, baseadas em estudos do Tribunal de Contas do Município.


O prefeito quer fazer o carioca acreditar que tudo se trata de uma simples briga corporativista, mas o problema é muito maior que esse. O verdadeiro problema é que não interessa ao prefeito um sistema que realmente atenda ao cidadão, mas sim que atenda aos seus interesses políticos.

REVISTA VEJA

Salário de médico em SP poderá chegar a 14.700 reais
Medida faz parte de lei sancionada nesta quarta-feira que prevê plano de carreira e padronização dos salários de médicos do estado
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/salario-de-medico-em-sp-podera-chegar-a-14-700-reais

Médicos do INCA querem redução de carga horária

3 de janeiro de 2013 às 1:00
Por Leandro

Acredite. A despeito das demissões de comissionados no Instituto Nacional do Câncer (INCA), a Afinca – Associação dos Funcionários começou campanha para “redução de carga horária sem prejuízo da remuneração” para os médicos de carreira. Querem trabalhar metade das 40 horas semanais. A demanda surge no período de eleição na entidade e às vésperas da implantação do ponto eletrônico, programado para Fevereiro. Procurara por telefone e e-mail, a direção da Afinca não retornou.

MAL ESTAR. Excelência em atendimento, o Inca tenta controlar a situação com o ponto biométrico. Há suspeita de que a maioria dos doutores falta porque fica no consultório particular.

MAL ESTAR 2
A campanha da Afinca surge em momento delicado na saúde pública no Rio, quando se descobre que o médico Adão Crespo faltou a plantão em hospital municipal no Natal.

DIAGNÓSTICO. A Afinca passou por auditoria interna recentemente, após uma vice-presidente denunciar mal uso de recursos.

Leia a íntegra:

O DIA ON LINE 03.01.2013

INSS perde 15% dos peritos ao ano

Levantamento feito pela Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP) revela que, a cada ano, o INSS perde 15% dos seus médicos peritos. A pesquisa levou em conta números de 2009 a 2012 e considerou tanto saídas por aposentadoria como pedidos de exoneração pelos profissionais.

Para o presidente da ANMP, Geilson Gomes, os números mostram a desmotivação dos médicos pela carreira no INSS. “Além do trabalho estressante, que muitas vezes envolve agressão por parte dos segurados, a defasagem salarial é muito grande. Os salários estão congelados desde 2008”, revela.

Segundo Gomes, o Ministério da Previdência tem se mostrado aberto para rever a situação da categoria.

CREMERJ CRITICA PREFEITO DO RIO


RIO
Médicos criticam declarações de Eduardo Paes
O Cremerj afirmou através de nota que as declarações do prefeito do RJ seriam "trolóló de gestor"
Publicado em 02/01/2013, às 19h58
Da Agência Brasil

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro
Foto: Tânia Rêgo/ABr

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) divulgou nota nesta quarta-feira (2) condenando as declarações do prefeito Eduardo Paes sobre o sistema de saúde por considerá-las “trololó de gestor”. As declarações foram feitas na solenidade de posse do prefeito, na última terça-feira (1), no Palácio da Cidade.

O Cremerj considera “questionável” o prefeito reeleito afirmar que prevê a contratação de dois mil médicos no município até 2016. “Foram necessários quatro anos de mandato para que ele percebesse a falta desses profissionais, o que denota grande descaso com a saúde pública”, afirma.

A nota lembra que o Cremerj vem “insistentemente e há muito tempo” cobrando do secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, a reposição do número de médicos por plantão nos hospitais do Rio e o aumento do efetivo de profissionais, para melhoria do atendimento à população.

Na avaliação dos médicos, para preencher paliativamente a deficiência no número de médicos, o que a prefeitura pretende é, mais uma vez, fazer contratações de forma emergencial por seis meses, prorrogáveis por mais três. “Fica claro que tal medida não será capaz de prestar à população um atendimento de qualidade nem resolver o problema. Quando será, enfim, sanada tal carência?”, questiona.

A entidade criticou também a decisão da prefeitura de adotar a obrigatoriedade do ponto biométrico nos hospitais da rede municipal, postos e clínicas da família – medida anunciada pelo prefeito. O Cremerj entende que a decisão não suprirá a carência de médicos. “Assim, o prefeito marca sua impressão digital na incapacidade de gestão da saúde pública do município”, acusa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

VALORIZAÇÃO DO MÉDICO. SEM DEMAGOGIA. A PRÁTICA EM SÃO PAULO. PARABÉNS AOS MÉDICOS DE SÃO PAULO, AO POVO DE SÃO PAULO E AO ILUSTRE GOVERNADOR DR. GERALDO ALCKMIN.

Parabéns aos médicos engajados nessa luta, como o Dr. Eleuses Paiva ( que apesar de deputado federal, sempre teve a luta pela classe médica como inspiração) e tantos outros, também deputados estaduais e federais,  Associação Médica de SP, AMB e outros personagens.


Valorização de verdade ! Sem mentiras, sem grupos de trabalho eternos, sem "empurrar com a barriga", sem demagogia, sem conchavos "engana médico" com associação "X". Chega de ser importante apenas na hora do aperto, da cobrança e das responsabilidades. O médico precisa de retorno mínimo para desempenhar função tão importante. Sem salário digno não tem atualização médica. Também não tem alimentação, moradia e segurança para a família do médico e nem para ele mesmo. Médico sem estímulo morre por dentro e apenas definha como profissional a cada dia. Medicina exige sacrifício demais. Nada mais justo do que um mínimo de retorno e dignidade.

Quem sabe a perícia médica do INSS ainda vai ser valorizada, como merece? OU, vai perder o resto dos peritos para o estado de São Paulo.

Rendimento mensal de médicos da rede estadual pode chegar a R$ 18,5 mil

Plano de carreira instituído nessa quarta prevê melhora nos salários e visa dedicação integral dos médicos ao serviço público estadual
O governador Geraldo Alckmin sancionou nesta quarta-feira, 2, a lei que institui o plano de carreira dos médicos do Estado de São Paulo. O novo plano amplia as faixas salariais e estimula os médicos por meritocracia. A nova lei estabelece três classes: Médico I, II e III.


O valor da remuneração de até R$ 14,7 mil será para o profissional de classe III, com dedicação integral, carga horária semanal de 40 horas e que receba o teto do Prêmio de Produtividade Médica, além de outras gratificações, podendo chegar a um total de R$ 18,5 mil. Os médicos da classe III receberão, com teto de produtividade, até R$ 7,5 mil por jornada de 24 horas semanais, R$ 6,3 mil por 20 horas semanais e R$ 3,8 mil por jornada reduzida de 12 horas semanais.

“O plano de carreira visa a valorizar o médico para que ele se dedique em tempo integral ao serviço público. Ela melhora o salário, para não haver falta de médico, e o maior beneficiário é a população que depende do SUS (Sistema Único de Saúde)”, disse Alckmin.

A categoria de 40 horas semanais foi criada com o objetivo de fixar os médicos nas unidades de saúde. O secretário de Saúde, Giovanni Guido Cerri, destacou a importância do plano. “Esta é uma mudança importantíssima, pois não se faz uma boa saúde sem médicos na rede”.

Os médicos da classe II vão receber, pelo teto da produtividade, até R$ 14,3 mil por jornada de 40 horas semanais, R$ 7,3 mil para 24 horas semanais, R$ 6,1 mil para 20 horas e R$ 3,7 mil por jornada reduzida de 12 horas semanais.

Já os profissionais da classe I vão receber até R$ 13,9 mil por jornada de 40 horas semanais, R$ 7,2 mil para 24 horas, R$ 6 mil para 20 horas e R$ 3,6 mil para jornada reduzida de 12 horas semanais. Os profissionais com cargos de chefia, como diretores, supervisores e encarregados, receberão remuneração diferenciada.

Do Portal do Governo do Estado

 http://saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=225261&c=6

AS MENTIRAS DA CUT SOBRE A PERÍCIA MÉDICA (publicado em 05/11/12, republicado a pedidos)

Apesar de todos os números, dados e entrevistas já dados que mostram cabalmente que o problema do INSS é de gestão, dirigentes da CUT insistem em mentir descaradamente sobre os "problemas da perícia médica", fazendo o jogo de seu patrão Berzoini e querem culpar os médicos pelos infortúnios previdenciários do dia a dia, como se o servidor da ponta tivesse o poder de conduzir alguma coisa dentro do INSS.

Chega a dar orquite a cada vez que eu leio uma entrevista com os mesmos e surrados argumentos mentirosos, falaciosos e acintosamente fraudados a respeito do trabalho dos médicos peritos. Sinceramente, fica difícil acreditar que seja desconhecimento, me parece má fé pura e nesse ponto sindicatos e Ministério Público são muito semelhantes, pois jogam para a platéia ao queimar o médico em praça pública e se omitem ao não punir/culpar o político gestor, pois dependem dele para seus aumentos salariais ou garantias de recebimento de impostos sindicais.

Onde está a CUT e o MPF para investigar o escândalo do NTEP, que excluiu da Lei de nexo técnico no calar da noite de sua aprovação o CNAE das indústrias automotivas, petrolíferas e metalúrgicas?

Já escrevemos aqui neste blog sobre os mitos envolvendo a perícia médica, mas julgamos por bem agora pegar uma entrevista de um desses difamadores e rebater ponto por ponto. Por exemplo, vamos pegar a entrevista que consta no link: http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=32435 (em 01/11/12 às 23h) supostamente atribuida ao dirigente Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT. Vamos reproduzir os trechos onde ele difama e conta mentiras sobre a perícia médica e em seguida mostraremos a verdade dos fatos:


1)"Defendemos a necessidade da 'humanização das perícias médicas'. Reivindicaremos que o INSS, um órgão público, adote medidas de transparência e de respeito aos usuários, como a identificação do perito médico que atende o trabalhador, além de fundamentar por escrito as decisões periciais"


R:Defendem humanização ou 100% de concessão? Por favor defina o que é "humanização de perícias" pois até agora pelo o que eu entendi "humanizar" seria conceder 130% dos pedidos solicitados nas APS. Como humanizar o atendimento se o INSS, governado por inúmeros simpatizantes/dirigentes cutistas hoje em dia, quer que o médico atenda o cidadão a toque de caixa, que faça entrevista, antecedentes, exame físico, leitura de exames complementares e feitura de laudo médico pericial, tudo isso em no máximo 20 minutos e pressiona peritos que se insurgem contra esse tempo ridículo, que não dá sequer para cumprimentar o cidadão direito? 

Onde estava a CUT defendendo a excelência do ato médico pericial?  Os dirigentes cutistas tratam a população como gado e é a perícia que precisa ser humanizada? 

Sobre a identificação do perito, concordamos. Basta apenas o INSS fazer os crachás, tem médico há 7 anos aguardando um.

Fundamentar por escrito? Isso é feito há anos, os senhores não sabem ler os Laudos Médicos Periciais? Seria o problema do dirigente uma questão para o MOBRAL resolver então? Agora, se a fundamentação não está adequada, onde estão os recursos? Onde está a ação do INSS para resolver isso?


2)"Para o dirigente da Contraf-CUT, há uma imposição abusiva de condições para concessão de benefícios. "Além da negativa de benefício ser comum, sem que a base da decisão seja fundamentada ao trabalhador, quando a concessão é deferida, o benefício é concedido e encerrado no mesmo dia da realização da perícia. Desta forma, o trabalhador perde o direito ao pedido de prorrogação, sobrando somente o direito ao PR (pedido de reconsideração de decisão) que demora meses. Fica sem salário da empresa e sem benefício do INSS", explica Walcir."

R: MENTIRA! O INSS em Números, boletim estatístico oficial do INSS, mostra em suas médias de 2011-2012 que 70% dos benefícios de incapacidade solicitados ao INSS são CONCEDIDOS. Dividindo entre categorias, 88% dos empregados que pedem tem o pedido CONCEDIDO. 

É MENTIRA que a base da decisão não seja fundamentada ao trabalhador. Basta o mesmo pedir cópia do Laudo Médico Pericial que lá estará escrito a fundamentação da negativa. Volto a insistir, seria má fé ou problemas do dirigente com o MOBRAL?

É MENTIRA que em todos os casos o benefício seja concedido e encerrado no mesmo dia. Somente um ignorante em matéria previdenciária poderia afirmar isso. Dos benefícios concedidos, 40% são para 60 dias ou menos, menos de 10% superam 360 dias e 68%  dos concedidos NÃO DÃO ENTRADA EM UM PEDIDO DE PRORROGAÇÃO. São dados oficiais do Sigma, um dos sistemas corporativos do INSS.

O caso em que o dirigente ilustra é o do cidadão que passa em perícia e é constatado, no dia, que ele esteve incapaz mas está apto ao retorno, ganhando a DCB (data de cessação do benefício) na DRE (Data de Realização do Exame). E se o trabalhador não concordar pode pedir um Pedido de Reconsideração (PR). O PP (prorrogação) só cabe quando o trabalhador está em benefício mas acha que não vai conseguir voltar a tempo. Não existe um direito automático ao PP para todos e ambos PP e PR possuem OS MESMOS PRAZOS de espera, depende apenas da Gerência onde se pede.

3) "O sindicalista aponta inúmeros problemas em relação à perícia. "Os médicos peritos do INSS não consideram documentos (relatórios e exames) apresentados pelos segurados que provam a sua incapacidade para o trabalho; falta identificação dos peritos médicos no ato pericial; além disso, há a prática ilegal de recusa de informações quando solicitadas por escrito e especialmente a recusa de protocolização de solicitações. Esses são alguns dos problemas", ressalta."

R: MENTIRA. O INSS já cansou de fazer auditorias nos benefícios e laudos e jamais constatou essa infâmia de que os peritos não "lêem os laudos". De fato o TCU fez auditoria nos benefícios e mostrou, em relatório, que em 90% dos casos os LMP continham detalhadamente todos os exames apresentados. Canso de ver essas queixas e ao pegar o LMP os exames estão lá, detalhados dentro do possível, lembrando que o SABI, sistema que administra a perícia, impõe LIMITE DE CARACTERES para o perito escrever, são no máximo 4.000 em todo o LMP, muito menos que o usado para o dirigente proferir suas mentiras.  

Seriam então os médicos na verdade médiuns? Como podem escrever nos LMP exames que não viram?

A única coisa que, pela lei, prova incapacidade para o trabalho é a perícia do INSS, caro dirigente. Os exames, como o nome já diz, são complementares, subsidiários. Ajudam muito, mas o que define é a avaliação médica. Se exame provasse alguma coisa não precisava de perito!

Quanto à prática de recusa em protocolizar requerimentos, isso não é culpa dos médicos, caro dirigente. Quem aceita e protocoliza documentos no INSS são administrativos da Carreira do Seguro Social, camarada. E sim, é verdade que em muitos casos alguns, ilegalmente, se recusam a protocolar documentos e isso vem sendo objeto de debate mas o que que os médicos tem a ver com isso? A falta de coragem em atirar no peito amigo do gerente incompetente cutista do INSS é que o faz culpar médicos por aquilo pelo qual jamais poderemos responder por não ser nossa atribuição. 

4) "Há ainda a figuração de bancários no sistema de Informações dos Beneficiários como sendo do ramo de comércio. "Já fizemos várias denúncias a esse respeito e as providências ainda não foram tomadas pelo INSS para a devida correção no sistema", salienta Walcir. "

R: Isso é verdade, mas repito: Quem cadastra o emprego é o administrativo e não o médico. CANSO de ver erros grosseiros nesses preenchimentos, o SABI é completamente desatualizado nesse setor, e para "passar rapidinho" o segurado para a perícia, o INSS abre mão de investigar seu vínculo real, o taxa de "trabalhador de área científica" e isso tem sérios impactos na perícia, no NTEP e no FAT. Mais uma vez: O que médicos tem a ver com isso, dirigente cansativo? Onde está a CUT se queixando contra o SABI e a informalidade com o qual o INSS trata o benefício por incapacidade?

5) "O INSS não aceita a CAT emitida pelo sindicato. "O Instituto determina a manifestação da empresa para referendar a emissão", critica o diretor da Contraf-CUT."

R: MENTIRA. Desconheço documento do INSS que mande recusar CAT de Sindicato. O problema é que a CUT acha que CAT é igual a benefício acidentário, mas nem toda CAT deixa o trabalhador incapaz.

6) "Formação dos peritos. Outro ponto crítico em relação aos peritos é que boa parte dos médicos que exercem essa função não tem qualquer conhecimento sobre a relação entre o trabalho e o adoecimento, a não ser aqueles que optaram por especializações como medicina do trabalho, medicina social ou medicina preventiva."

R: Quanta estupidez, haja torção de testículo lendo uma asneira dessas. E o pior, a pessoa que profere tamanha sandice se acha no direito de discutir no mesmo nível técnico que nós sobre o nosso trabalho. Estudos de entidades médicas mostram que mais de 60% dos peritos já possuem especialização em medicina do trabalho. E não existe medicina social OU medicina preventiva, a especialidade é a mesma: Medicina Social E Preventiva.

Nenhuma dessas duas especialidades prepara o médico adequadamente para fazer perícia, pois é isso o que fazemos: PERÍCIAS, e existe uma especialidade específica para perícia, que não é nem a do trabalho e nem a da Medicina Social e Preventiva e sim a "Medicina Legal e Perícia Médica."

QUEM É o dirigente da CUT para querer discutir, nesse nível de detalhamento, a formação médica dos peritos? É muita presunção!!!

7) "Em vigor desde agosto de 2005, a Cobertura Previdenciária Estimada (Copes) tem se demonstrado como um instrumento de injustiças generalizadas e objeto de denúncias e ações judiciais há muitos anos. A Copes priva o direito do segurado de ser periciado por um órgão de Estado quanto à sua capacidade laboral antes do retorno ao trabalho e ofende garantias constitucionais de direito à preservação da saúde e tratamento. O outro recurso utilizado é a utilização de diretrizes para definição de incapacidade elaborada pelos próprios peritos e não disponíveis a sociedade."

R: MENTIRA. O Copes salvou o trabalhador comum, que faz parte dos 68% que pedem a perícia e depois retornam ao trabalho, de ter que esperar meses para ser periciado pois a fila estava sequestrada nas mãos de verdadeiros profissionais da perícia, que ocupavam as vagas com múltiplos pedidos intermediados por procuradores, alguns com 25, 33, 48 perícias para a mesma doença como vi aqui em São Paulo. 

OUTRA MENTIRA é dizer que o trabalhador não tem direito de ser repericiado. O trabalhador tem pleno direito de pedir quantas perícias quiser, pode pedir o PP e terá o auxílio pago até passar em perícia mesmo que vença o prazo inicial (liminar da DCA). E pode pedir PR.

E mais uma mentira é dizer que as diretrizes não são disponíveis à sociedade. O diretor se deu ao trabalho de ir na página da Previdência Social (clique aqui) e ler as diretrizes? E mais, é óbvio que as diretrizes tem que ser feitas pelos peritos. Nós somos os experts nisso. Quem que o diretor gostaria que fizesse as diretrizes? A CUT? Ele? Berzoini? Gabas? Por favor, por favor....

O que ofende garantia constitucional aqui é a CUT pressionando para a perícia ser meramente uma homologadora de atestados muitas vezes inidôneos.

8) "Enquanto os órgãos de Estado vêm cada vez mais se abrindo e aumentando a transparência de suas ações, o INSS mantém-se hermético e esconde seus procedimentos por meio de ordens internas, resguardando questões vitais da opinião pública, como aquelas que tratam das diretrizes de incapacidade e dos procedimentos de reabilitação profissional, dentre vários outros assuntos relevantes. Tais procedimentos ofendem os princípios do Direito Administrativo."

R: Olha, até eu vou ter que defender o Presidente do INSS agora: Todas as diretrizes são abertas ao público antes de serem publicadas. E inclusive não faz muito tempo um tiro da CUT acabou acertando o próprio pé e doeu tanto que passaram até mesmo a defender os peritos: Foi o tabelão de incapacidade, tanto pedido pelos sindicatos e quando foi feito causou temor pelos prazos cientificamente rígidos ali impostos. Quiseram os peritos de volta. Mais vale um perito bonzinho na mão que um tabelão rígido voando.

Todo esse papo "social" é mentira. O que a CUT quer é dominar politicamente o ato médico pericial e fazer dele instrumento de valor político. Quer subjugar o médico às suas vontades e ter o controle do processo, não à toa o cutista de primeira hora Berzoini possui diversos PL em tramitação, todos querendo acabar com a perícia médica do INSS.

Defenda o que quiser, caro dirigente da Confrat-CUT, mas seja corajoso o suficiente para assumir suas posições e tenha mais sinceridade e honestidade ao fazer suas reclamações. Conforme demonstramos acima, suas mentiras não se sustentam na análise mais primária.

Não toleraremos mais esse tipo de calúnia conta a perícia médica. Este BLOG vai expor e rebater todos os que insistirem nesse discurso mentiroso sobre a nossa atuação.

Administração Esquizofrênica : O Perito marisco

Em qualquer estrutura de trabalho, pública ou privada, o funcionário ou servidor se reporta a alguém que ele claramente reconhece como superior hierárquico. O fluxograma é linear, ou seja, A se reporta a B, o qual se reporta a C, etc. No INSS, o Médico Perito se reporta a dois superiores hierárquicos, mas entre os dois não existe nenhuma relação de hierarquia. A coisa remonta a Ionesco, autor do teatro do absurdo. O Gerente da APS é o superior encarregado de fiscalizar assiduidade, pontualidade, frequência, produção e comportamento em geral. A ele, o Perito se submete e bate continência. No entanto, também bate continência ao Chefe do Serviço de Saúde do Trabalhador, responsável pela parte técnica, elaboração de agendas, cumprimento de metas, implantação de manuais, controle de qualidade, organização do trabalho, etc.
Para complicar mais um pouco, nas organizações, ser “superior” significa saber mais, ser o mais versado, o mais experiente. Os advogados são liderados por um advogado líder, os engenheiros , por um engenheiro-chefe, as enfermeiras, pela supervisora, e assim por diante. Ressalvadas indicações políticas, toda estrutura funciona bem quando os comandados obedecem por admiração, por reconhecimento de que o chefe sabe mais e faz melhor. Mas no INSS, com sua administração esquizofrênica, o Gerente da APS não é médico, muito menos Perito. Já na Chefia do SST, muitos são médicos, mas não todos.Não estou criticando nem um nem outro, ambos estão em seus papéis , a maioria tentando dar o melhor de si e  nenhum deles é responsável pela situação posta. 
O leitor que, a esta altura, se pergunta se não existe conflito nesta relação triangular, deve receber um sonoro “sim” como resposta. A começar pelo status de cada parte: o Perito, servidor de ponta, soldado raso, o líder da APS tem status de Gerente e o líder do SST, como diz o próprio titulo, tem mero cargo de chefia , sem nenhum poder sobre o Gerente. A estrutura gera situações absurdas, tais como:
- O Perito precisa decidir a quem se reportar, conforme a natureza da dúvida.
- O Perito se dirige ao Chefe da SST e ouve deste que o assunto não é com ele.
- O Perito se dirige ao Gerente da APS e ouve deste que o assunto não é com ele.
- O Perito leva determinado tópico para o Gerente da APS que o Chefe do SST entende como intromissão na sua área e se sente desmoralizado.
- O Perito leva determinado tópico para o Chefe do SST que o Gerente da APS entende como intromissão na sua área e se sente desmoralizado.
- Nas duas últimas situações, o “ erro” é do Perito e gera consequências nas suas relações com ambos.
Eu gostaria muito de submeter este cenário para um deste gurus de Administração e saber o que ele pensa. Imagino que ele vai ver a coisa toda como um case muito interessante, e quem sabe não vai dedicar um capítulo do próximo livro ou um espaço em suas palestras para abordá-lo.
No fim da contas, o Perito é o marisco do velho adágio que diz quem é que realmente sofre na luta entre o mar e o rochedo.

A INCAPACIDADE LABORATIVA É DIRETAMENTE RELACIONADA À QUALIDADE, APOIO E SATISFAÇÃO NO EMPREGO.

O caso ilustrado abaixo mostra o quanto que o sentimento de incapacidade laborativa é dependente do grau de satisfação que o cidadão usufrui do emprego e da estrutura do mesmo. E o perito ter essa noção é essencial para que ele escape das armadilhas mais comuns no que diz respeito à aferição de incapacidade por doença, que é confundir a incapacidade laborativa por doença com incapacidade laborativa por outras causas.

Isso é importante pois o auxílio-doença só cobre a incapacidade por doença, e muitas vezes nos deparamos com pessoas que recorrem ao INSS em busca de amparo para fugir de outras situações de incapacidade, mas que não são amparadas pela Lei.

Infelizmente muitos peritos confundem o próprio trabalho achando que estão ali para aferir a incapacidade "em geral" para o trabalho, gerando muitas concessões indevidas. Não só os peritos, mas muitos juízes fazem a mesma confusão de entendimento, chegando a deturpar a lei para adequar o cidadão a um benefício indevido. Cansamos de mostrar isso aqui.

Esse é, aliás, o grande erro da abordagem dita "multidisciplinar" que tenta se impor ao nosso trabalho, pois apesar do discurso sociologicamente correto, a lei só prevê afastamentos remunerados por doença, e não por motivo social de qualquer natureza.

No caso abaixo, qualquer perito aposentaria por invalidez com majoração de 25% o médico Lídio Toledo Filho, vítima de tentativa de latrocínio e que ficou paraplégico em 2008. Duvido que alguém não o fizesse. Mas como seu emprego lhe trazia muita satisfação e como tinha estrutura e apoio, conseguiu se recuperar e agora está operando normalmente, com certeza eu me deixaria operar por esse médico.

Porém isso não pode servir de exemplo para sairmos desaposentando todos os paraplégicos pois cada situação na perícia médica é peculiar e particular e esse é outro conceito que se esquece, no meio de tantas fórmulas, previsões e modelos "matemáticos" que tentam impor ao ato médico, num caso clássico de sequestro do modelo baseado em evidências para fins de mais valia por parte do mercado e do governo.

Os erros mais comuns no que se refere a aspectos doutrinários da perícia médica e que serão tema de matérias deste BLOG a partir de 2013 são:

1) Confundir incapacidade por doença com insatisfação profissional.


2) Confundir incapacidade por doença com incapacidade técnica e/ou acadêmica.



3) Confundir incapacidade por doença com incapacidade por idade avançada (velhice não é doença).



4) Confundir incapacidade por doença com presunção ou potencial de incapacidade na dependência de algum terceiro fator ainda não presente.



5) Confundir incapacidade por doença com medo de demissão.



6) Confundir incapacidade por doença com incapacidade de cunho econômico-social (não é a mesma coisa, muito pelo contrário!).



7) Não individualizar os casos analisados a partir de conhecimentos gerais e, ao contrário, generalizar os casos individuais em um grande grupo (conhecido como "tentar encaixar o paciente no livro e não o livro no paciente").



8) Considerar "nova invalidez" em casos onde a pessoa já possuía, previamente, uma invalidez de fato ou presumida (causa de graves erros de DII. Exemplo: DII na data do AVCH em quem já estava em hemodiálise há 5 anos com diversas passagens em P.S.).



9) Não considerar a capacidade laborativa prévia presumida ou constatada na avaliação da incapacidade atual por doença (erro muito comum no caso de idosos, portadores de doenças prévias importantes e em casos de possível invalidez sobreposta à invalidez prévia).



10) Julgar a capacidade do segurado no primeiro minuto e depois tentar embasar o seu julgamento inicial direcionando a entrevista (conhecido como "olhar de soslaio").


A perícia médica do INSS só avalia a incapacidade por DOENÇA. E ao contrário do que o Estado babá tenta passar para a população, nem todo o fracasso ou insucesso é causado por doenças.

Ao longo de 2013 iremos dissecar todos esses itens.

PS: Resgatado, a pedido, do tópico de 31/12/12.

EXONERÔMETRO 2012 - SALDO F|INAL

Para o Presidente do INSS pensar:

Em 2012 tivemos 240 exonerações à pedido dos peritos e 216 aposentadorias de peritos, somando um total de 456 saídas em um ano ou 10% do total de 4.500 peritos existentes em janeiro de 2012.

Um turn-over maior que o de empresas de telemarketing, coleta de lixo e carvoaria.

Começamos 2013 com +- 4.000 peritos; Esse ano estão previstas aposentadorias de cerca de 800 colegas seja na expulsória, por terem atingido o topo da carreira com idade para aposentar ou por fim de abono-permanência, além do exonerômetro a taxas de 1 saída/dia útil e com viés de forte subida se as 20h não chegarem rapidamente.