segunda-feira, 25 de junho de 2018

INSS: HORA DOS SERVIDORES REAGIREM E DENUNCIAREM O QUE SABEM.

A demissão do ex-croque e ex-presidente do INSS, Francisco Lopes, o "Lawrence do Cerrado", por suspeitosíssimas assinaturas de contratos com empresas de fachada sediadas em adegas de Brasília, levantou uma cortina de corrupção dentro da autarquia que revelou o quão podres estão as estruturas que sustentam a autarquia mais importante do Brasil.

Estamos vendo o INSS se esfacelar diante de uma rede de indicações políticas que há anos opera dentro da casa e não vamos fazer nada?

Vivemos duas realidades no INSS: O INSS da fantasia, que se propõe a ajudar os necessitados, onde vendemos eficiência, austeridade, INSS Digital, Meu INSS, aposentadoria em 30 minutos, etc, e o INSS Real.

No INSS Real, cada Gerência-Executiva é feudo de um político local. A Direção Central é dominada por um grupo político que bota a faca no pescoço do Governo a cada tentativa de moralização da autarquia. O uso político do INSS é descarado. Ninguém consegue fazer nada, pois o cacique da vez proíbe qualquer intervenção.

Ilusão acreditar que o INSS presta serviços gratuitos. Em muitos casos o segurado, quando chega no balcão de atendimento, já gastou de centenas a milhares de reais com atravessadores. Qualquer médico que trabalhou no SUS, em emergências e postos, já ouviu esses relatos.

Alguns Gerentes de APS que favorecem atravessadores são premiados com cargos elevados, cargos na Superintendência, prêmios como  gerenciamento de pólos digitais do INSS em determinadas superintendências, por exemplo. Esse padrão se repete em todas as hierarquias. Servidores tido como "exemplos" assinam processos como se fossem diretores, em pleno Natal, para acelerar IN picaretas ou compras absurdas de tecnologias imprestáveis.

Em cidades menores, é comum vermos a APS fazer de um ou dois vereadores. Alguns gerentes viram prefeitos, gerentes-executivos viram deputados estaduais e federais. O ex-ministro da Previdência, José Pimentel, pulou do MPS para o Senado com a desfaçatez de usar o mesmo número que escolheu para o serviço de teleatendimento do INSS, o 135.

Sempre temos políticos, os donos do feudo, nas inaugurações de APS, acompanhados dos superintendentes, gerentes-executivos, chefes locais e servidores da área meio. Muitos servidores da área-meio se comportam como políticos, cuja prioridade é manter seu cargo e não atender ao interesse público. Quando chamado a resolver problemas, alega inúmeras IN e OI para se eximir, deixando o servidor da ponta literalmente "vendido" no enrosco.

A Corregedoria, até hoje, é usada para proteger esse sistema político e caçar servidores que se insurgem contra o sistema ou apenas para "limpar a área" quando alguma quadrilha cai nas malhas da Federal. Abre processos a rodo, sem nenhum critério de admissibilidade adequado, pois isto é visto e vendido como "eficiência". O último corregedor caiu em várias denúncias de corrupção e o penúltimo se insubordinou contra a autoridade constituída e foi devidamente chutado pra fora do INSS.

A Força-Tarefa Previdenciária estoura, em média, uma grande quadrilha por semana. Isso há 10 anos. E eles só pegam esquemas grandes, mas é justamente a "chinelada" do dia a dia que está matando a autarquia. Contra ela temos um sistema vendido, inoperante, surdo, cego e mudo.

O político que promove a inauguração da APS e divulga "o bem que ela trará para a população pobre " é o mesmo que indica os servidores da área-meio, os gerentes e cargos mais elevados, e também participa da rede oculta de atravessadores nas APS ou cercanias, que aliciam servidores e segurados para girar a roda da fortuna previdenciária. O segurado, muitas vezes sem dinheiro, promete o que virá a ter (o benefício) em troca da "facilitação" dentro da Agência.

Muito comum o cidadão procurar o escritório político local de algum cacique para pedir benefícios e ser direcionado a algum escritório de atravessadores (muitas vezes escondidos com OABs) que "facilitarão" a obtenção do pleiteado. Alguns gerentes permitem o livre transitar desses atravessadores que em troca levam brindes, bolos, salgadinhos e presentes aos servidores da APS. Quem nunca viu isso no INSS?

Não à toa a Perícia Médica foi tão combatida, pois quando acabou a terceirização, um corpo público de servidores se colocou como um muro nessas relações. Por isso muitas chefias administrativas resistiram tanto a perder o controle local da Perícia Médica, somos ativos valiosos nessa rede de interesses. Alguns colegas caíram na malha e foram pegos, mas são uma gota nesse oceano de corrupção.

Nos níveis mais elevados, contratos absurdos são assinados sem nenhuma transparência, em troca de coisas que nunca chegam ou são imprestáveis para a autarquia. Neste exato momento, apostamos que existem contratos iníquos prontos para serem despachados. Se isso for mentira, fecharemos esse blog.

Todo servidor de bem sabe de um esquema, de algum contrato, de alguma coisa que não cheira bem. O silêncio até hoje foi questão de sobrevivência.

Mas não dá mais. A casa não aguenta mais esse peso. Precisamos reagir, precisamos expor os que estão sugando o INSS para interesses privados.

Denunciem. Joguem na rede. Tornem público. Revelem o que vocês sabem. Procurem o Ministério Público Federal local, a Polícia Federal, ou a Civil onde não existir um posto da PF, procurem a imprensa, a CGU, o TCU. Ou façam isso agora ou não teremos INSS amanhã. 

Com a desculpa de falta de servidores e da necessidade de "modernizar a casa", seremos trocados por terceirizados ao estilo "135", por máquinas e sistemas superfaturados, será a Era de Ouro das fabriquetas de TI que existem em Brasília e aos arredores de cada APS, junto com os famosos escritórios de advocacia.

Tal qual um casamento, essa união dos servidores com a autarquia precisa dessa ação de união entre as partes. Não se calem mais. Falem agora, ou calem-se para sempre.

Nenhum comentário: