Nos últimos anos o grupo dominante na ANMP vem repetindo sucessivamente aos peritos da ponta um discurso de pânico e medo, que consiste em dizer que a dita oposição a eles teria "portas fechadas" com o governo e que "ruim com nós, pior com eles", pois ao menos teriam "portas abertas com o governo". Nada mais mentiroso. Lideranças de caminhoneiros, policiais, agrários, bancários, dentre outros. fazem discursos muito agressivos contra o governo e são recebidos (bem) e tem suas demandas atendidas, pois o governo não fecha portas; Governo negocia com quem é forte, e deixa ao relento quem está fraco, sem representatividade.
Primeiro vejamos esse gráfico:
Na época que o atual grupo no poder alega ter sido um período "difícil", de "portas fechadas", de "prejuízos" para a categoria, foi o período em que tivemos o maior poder de compra salarial, tanto medido pelo SM como pela Dieese. Já o período em que eles estão no poder, com discurso da "porta aberta" e do peleguismo, a depreciação salarial é significativa, em especial pela Dieese, que reflete a inflação real. Portas abertas para o abismo, deve ser....
Agora vejamos o que esse grupo, que alega ter "portas abertas" com o governo, conseguiu de fato nos últimos 4 anos:
a) Fim da exclusividade da carreira médica pericial (MP 664) - Agora o INSS pode contratar médicos à vontade pra substituir nosso salário - fim da carreira.
b) Sucessivos vetos às propostas de 20h e 30h - As portas abertas não foram suficientes para fazer o governo vetar por várias vezes propostas de redução de carga horária. A atual chapa foi eleita com discurso de que as 20h viriam "já".
c) Desvalorização salarial da ordem de 50% - O salário praticamente congelado nos últimos 4 anos com reposição abaixo da inflação real e oficial (vale-coxinha) fizeram nosso poder de compra despencar.
d) Terceirização da carreira via Resolução do INSS e Perícias Automáticas no Balcão em teste em algumas gerências - Multiprofissionalização a caminho.
e) Peritos vivendo sob a chantagem do turno estendido em todo o país
f) Retorno da agenda de 18 perícias (mais extras) em diversas gerências que haviam conseguido a redução desse número.
Além disso, temos esse pequeno pout pourri das derrotas acumuladas pelo grupo que tem "´portas abertas" com o governo:
- Novo modelo pericial (2011)- Tentativas de implementar modelo biopsicosocial não previsto em lei (2011)- Desqualificação do ato médico com projetos de "perícia sem perito" (2011)- Projetos de Perícia multiprofissional "em saúde" (2011)- Congelamento salarial (2011)- Inação mediante o exonerômetro (2011)- Difamação pública em jornais por parte de dirigentes (2012)- Vale-Coxinha (2012)- Intensificação da pressão junto com MPF (2012)- Promessa vazia das 20h (2012/13)- Terceirização de novo (2013)- Desmonte e fim das APS BI (2013)- Fim das negociações das 20h (2013)- Emenda de 30h sem redução vetada pelo Congresso (2013)- Emenda de 30h sem redução vetada pela Presidente (2014)- Aumento a funcionários federais na época da Copa, perícia de fora (2014)- GDAPMP atrelada à fila de perícia (2014)- Congelamento da aposentadoria especial para peritos (2014)- Retirada de insalubridade a centenas de peritos (2014)- Retomada do Sicamp (2014)- MP 664 retira exclusividade da carreira pericial e oficializa terceirização (2015)- Posse de gestora inimiga de peritos na Presidência do INSS (2015)
Afinal de contas, que diabos de "portas abertas" são essas que só nos trazem derrotas?
A resposta é muito simples: A "porta aberta" que esse grupo tem com o governo é a porta dos fundos. Esse papo de "porta aberta" é um factóide, feito pelo governo para induzir os peritos a votarem na chapa de predilição do governo, aquela que não irá trazer problemas, jamais irá mobilizar um movimento de classe, ou uma greve e de preferência vai transformar a ANMP numa entidade cartorial.
E é exatamente isso o que está acontecendo com a ANMP nos últimos anos: Fraca, dividida entre seus próprios líderes, dependendo do esforço hercúleo de um ou outro pra seguir adiante, longe dos peritos e curvando a espinha aos amigos do governo, perdeu sua representatividade, sua força, e apesar de ter uma porta aberta, ela é sempre para os fundos do MPS.
Um exemplo claro dessa "porta aberta pros fundos" está aqui: Em 2013 o então candidato a presidente (atual presidente) protagonizou uma das mais vexatórias páginas da história da ANMP ao prometer em público que havia visto a "minuta" das 20h, que as 20h viriam já, não haveria terceirização da carreira e era tudo mentira:
RECORDAR É VIVER - JARBAS SIMAS GARANTINDO QUE NÃO HAVERIA TERCEIRIZAÇÃO NA ÚLTIMA CAMPANHA ELEITORAL DA ANMP
"Eu tive acesso á minuta das 20h"; "Não existe terceirização", "Não existe multiprofissionalização".
"O meu nome está em jogo" "Eu não sou menino".
Entidade forte abre qualquer porta. Entidade representativa de fato é recebida pela porta da frente, respeitada e tem seus pleitos atendidos.
De 2003 a 2010, a ANMP garantiu o melhor salário a médicos da esfera federal e uma certa paridade com auditores. De lá para cá, o discurso pelego da "amizade" nos afundou, desuniu e ajudou a destruir a carreira,
Sim, o governo tem a maior parte de culpa nisso. É óbvio. Mas pior que a ação do governo é a INAÇÃO da ANMP diante desses sucessivos ataques, mantendo a postura de tirar fotos abraçados com autoridades, não procurar articulação com entes políticos e jurídicos, curvar a espinha aos desejos do governo.
É isso que tem que mudar, é por isso que aqui estamos, unidos, por uma oposição responsável a esse projeto pelego, que irá colocar a ANMP de volta aos eixos da vitória, da representatividade e da força. Nós vamos entrar pela porta da frente do governo, não pela dos fundos.