sábado, 2 de março de 2013

A SAGA CONTINUA

Presidente da Embratur cria ONG contra erros médicos

Fonte: Estadão

Brasília - Depois de um ano cobrando punição para envolvidos na morte de seu filho Marcelo, o presidente da Embratur, Flávio Dino, decidiu criar uma organização não governamental para debater e prevenir erro médico. "Se eu, advogado de formação, com todas as condições possíveis, tenho dificuldade de ver a Justiça feita, imagine pessoas em situações menos privilegiadas, sem tempo ou recursos para buscar seus direitos", afirma.

A entidade, batizada de Centro Brasileiro sobre Crimes para Saúde, deverá iniciar sua atuação neste mês. Com sede em Brasília, a ONG deverá manter um site com orientações para vítimas de erro médico. Além desse serviço, a entidade deverá promover debate sobre as causas estruturais que levam às falhas e monitorar a aplicação de recursos públicos na área de saúde. "Temos organizações ambientais, de defesa do consumidor. Mas nada para defender o paciente dos abusos que são cometidos", afirma.

Marcelo, na ocasião com 13 anos, morreu em fevereiro do ano passado, menos de 24 horas depois de ser internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de um hospital de Brasília, com uma crise de asma. Dino conta que pouco antes de receber alta, o jovem recebeu uma medicação e passou mal. A médica de plantão não estava na sala, pois ajudava um colega a fazer um parto.

Ele sustenta que o medicamento foi aplicado de maneira inadequada, o socorro demorou e a médica estava nitidamente atordoada, porque vinha de uma jornada de trabalho de 23 horas.

"Disseram que meu filho não tinha resistido. Não resistiu a quê? Claro, a uma sucessão de erros", afirma. Desde então, Dino ingressou com sete ações distintas. Até agora, apenas uma punição ocorreu: uma multa de R$ 10 mil para o hospital, aplicada pela Vigilância Sanitária. "A fiscalização atualmente é feita apenas quando provocada. Não há um monitoramento periódico. Um erro, sobretudo numa área tão sensível quanto a saúde", diz.

O presidente da Embratur defende a criação de um sistema de avaliação constante, a exemplo do que existe na educação. "Quem fiscaliza quantos médicos o hospital tem de ter e quantos efetivamente tem? Quem fiscaliza quantas horas um médico tem de trabalhar?" Para Dino, há uma lógica mercantilista: hospitais ampliam o atendimento, mas não as equipes. Recrutam profissionais muitas vezes sem a capacitação adequada e os submetem a jornadas de trabalho excessivas. "Com esse quadro, o risco de erro no atendimento é enorme."

Meses depois da morte de Marcelo, o chefe de gabinete de Dino, Paulo Guilherme de Araújo, enfrentou situação semelhante. Sua filha, de 2 meses e meio, morreu por infecção generalizada, consequência de uma coqueluche diagnosticada tardiamente. "Foram cinco médicos até que o diagnóstico foi feito. A indicação era de UTI, mas um hospital não aceitou a internação. No outro, foram nove horas de espera até que o tratamento fosse iniciado", conta Araújo.

Dino cita outros casos que marcaram 2012, como a morte do secretário do Ministério da Planejamento Duvanier Paiva por omissão de socorro e a de uma paciente depois de ter sopa injetada na veia. "São todos episódios que trazem causas comuns: condições inadequadas de trabalho, ausência de profissionais em número adequado, equipe com capacitação inadequada. Isso precisa mudar." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

7 comentários:

Francisco Cardoso disse...

Que medico vai aceitar tratar desse senhor quando ele passar mal??

Acho que em breve ele vai ser expelido pelo governo. Imagina quando sua ONG descobrir que a maioria das causas de erro medico tem como base a superexploracao do profissional, o baixo salario, o desmonte do SUS, a politica negligente do governo e a a pressao do empresariado da saude?

Pensando bem, os medicos nao tem que temer essa ONG nao. Vamos lá debater e mostrar a realidade...

Fernando Ebling Guimarães disse...

se a ONG expuser a realidade do sistema de saúde brasileiro, público ou privado, fará um enorme favor à sociedade como um todo e aos médicos particularmente. Poderá daí nascer uma solução que resolva o caos em que vivemos, pacientes e profissionais.

aldofranklin disse...

Pirotecnia! Vai esbarrar nos interesses se Graúdos...
Com esse Investimento em Saude Publica e com os Interesses dos Grupos privados, nao vai muito longe nao...

Herbert disse...

Temo que ao invés de mostrar a verdade sobre a saúdes, expondo governos, patrões, empresas de saúde, essa ONG venha a se especializar apenas em perseguir os médicos, com o viés da vingança insana que nunca tem fim, travestido de "defesa da vida e da saúde". É uma possibilidade, pois que está de frente, em contato com o paciente, é o médico. E é o médico que recebe toda pressão, todo xingamento e revolta. Não é quem detona o serviço de saúde e quem ganha muito explorando o médico.

Herbert disse...

Apesar de amar a medicina, eu me pergunto: qual louco vai se habilitar a ser médico num cenário desses? Tem muitas outras profissões com muito menos responsabilidade e muito mais valorizadas. A sociedade já paga e vai pagar muito mais caro por isso. Nenhuma pessoa de capacidade intelectual moderada para cima, se habilitará a uma profissão que se tornou sinônimo de tortura, agressão, desvalorização e perseguição (a medicina). Medicina será exercida por pessoas de capacidade duvidosa, mesmo que com boa vontade, pois querer não é poder, como diz a frase popular. Tem que querer e ter capacidade. Isso já está ficando fora da lista dos candidatos a médicos.

MAURICIO disse...

Acabei de ouvir no noticiario da Record o desespero de avos que tiveram a sua filha morta na frente da neta pelo genro e um juiz deu a guarda dos 4 netos para o suposto assassino que desapareceu com as criancas. Será que o juiz tambem trabalha horas em excesso? Alguem vai indenizar os avos e criancas. Se for o dinheiro saira do nosso bolso e nao do juiz.Vamos criar uma ONG para pedir puniçao para erros judiciários e que a indenizaçao saia do bolso do juiz.......
Ah...... daí nao pode né.....

Heltron Xavier disse...

A dor desse senhor é grande, de fato, ele tem razão em querer lutar e fazer algo para amenizar a sua perda inconsolável.

A medicina brasileira está gravemente doente. Não temos leis ou regras claras para médicos. Por aqui dentro de um hospital todos, repito todos os profissionais paramédicos tem carteira assinada com exceção do médico.

Juízes tem 2 meses de férias. E possuem autonomia de fato para pensar, interpretar e julgar.

O ato médico é atualmente minimizado pelos orgãos de controle. Que manda e entende o que e quanto o médico deve fazer é um enfermeiro. Querem produção em série e baretear-nos. Por isso, a quantidade de erros vai aumentar até tornar a profissão inviável.

Médico sequer sabe o que é folga direito. Policiais, bombeiros e auditores depois de plantão de 24horas passam 3 dias sem trabalhar. Repito 3 dias pela legislação.

Eu tomara que este senhor converta mesmo sua revolta em algo positivo para medicina. Também tomara que ele deixe este cargo porque não tem condições de exercê-lo com um problema tão sério pessoal.